Especialistas apontam que taxação de vinte e cinco por cento imposta por Washington mascara interesses geopolíticos e defesa de monopólios corporativos.
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A imposição de um tarifaço de vinte e cinco por cento sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos, sob o argumento de que a legislação e decisões judiciais do Brasil ameaçam a atuação das gigantes da tecnologia, é vista por especialistas como um pretexto para punição política. Pesquisadores ouvidos pela Agência Brasil destacam que as empresas estrangeiras não podem tratar o país como um território sem leis e que as regras nacionais visam a proteger a soberania e a democracia.
Segundo o professor Paulo Rená, pesquisador do Instituto de Referência em Internet e Sociedade, a alegação de que o Brasil atenta contra a liberdade de expressão é uma narrativa deturpada. Para o especialista, a ausência de regulação é o verdadeiro fator prejudicial à livre expressão, pois permite a proliferação de discursos de ódio direcionados a minorias e a disseminação de desinformação na opinião pública.
As justificativas para a medida protecionista constam em um relatório do Escritório do Representante Comercial da Casa Branca, que critica ordens judiciais brasileiras e pontos do Marco Civil da Internet. O sociólogo Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC, avalia a decisão do governo norte-americano como truculenta, apontando que a manobra busca assegurar que o Brasil permaneça como um mercado livre para a extração de dados sem prestação de contas à sociedade.
Para Alexandre Gonzalez, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, a retórica de defesa da liberdade de expressão serve para blindar interesses corporativos e proteger a vanguarda tecnológica dos Estados Unidos na corrida global contra a China, especialmente no setor de inteligência artificial. Na mesma linha, o diretor do Sleeping Giants Brasil, Humberto Ribeiro, ressalta que o país se tornou um alvo estratégico para desestimular iniciativas regulatórias semelhantes em outros países da América Latina.
Perguntas Frequentes
Qual foi a justificativa usada pelos Estados Unidos para o tarifaço?
O governo norte-americano alegou que a legislação brasileira e a atuação da Justiça contra big techs representam uma ameaça à liberdade de expressão e às empresas do setor.
O que dizem os especialistas sobre os argumentos dos Estados Unidos?
Pesquisadores apontam que os argumentos são distorcidos e servem como pretexto para punir o país, proteger interesses corporativos e blindar o monopólio das plataformas digitais.
Qual é a avaliação sobre a regulação das plataformas no Brasil?
Especialistas defendem que a exigência de regras e transparência protege os usuários, combate crimes na rede e garante a soberania digital do país.
Com informações de Luiz Claudio Ferreira – Repórter da Agência Brasil

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