Especialistas contestam justificativas de Washington para novas sobretaxas comerciais e reforçam que o país possui rigoroso histórico no combate ao trabalho forçado.
© Arquivo/Marcello Casal Jr/Agência Brasil
A imposição de uma taxa de vinte e cinco por cento sobre produtos brasileiros comercializados com os Estados Unidos entrou em vigor nesta quarta-feira, acompanhada pela expectativa de uma sobretaxa adicional de doze vírgula cinco por cento. A medida unilateral do governo norte-americano fundamenta-se em alegações de práticas comerciais desleais e na suposta omissão do Brasil diante de mercadorias estrangeiras produzidas sob condições de trabalho forçado.
Especialistas ouvidos pela Agência Brasil rejeitam as acusações e destacam que o país é reconhecido internacionalmente como referência na fiscalização e na erradicação de práticas análogas à escravidão. O professor de direito internacional Thiago Romero explica que a crítica do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos explora uma lacuna técnica regulatória, confundindo a eficácia do combate interno com a ausência de um mecanismo alfandegário de bloqueio de fronteira semelhante ao modelo estadunidense.
O governo brasileiro classificou a investida como protecionista e lembrou que a adesão recente à Convenção número vinte e nove da Organização Internacional do Trabalho reforça o compromisso institucional com os direitos laborais. Para juristas, a ofensiva reflete interesses geopolíticos e tentativas de impor padrões regulatórios externos, desconsiderando a sólida arquitetura jurídica e constitucional mantida pelo país na defesa da dignidade dos trabalhadores.
Perguntas Frequentes
Qual é a porcentagem da nova taxa aplicada pelos Estados Unidos?
A alíquota inicial aplicada sobre produtos brasileiros é de vinte e cinco por cento, com expectativa de nova sobretaxa de doze vírgula cinco por cento.
Qual é a principal justificativa apresentada pelo governo norte-americano?
Washington alega que o Brasil falha em impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado e adota práticas comerciais desleais.
O que dizem os especialistas brasileiros sobre as acusações?
Especialistas afirmam que o país é referência global no combate ao trabalho análogo à escravidão e que as críticas mascaram interesses protecionistas.
Com informações de Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil

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