Estudo na revista Science aponta que o fim do acordo comprometeria a preservação da Amazônia e aumentaria emissões de carbono em níveis nacionais.
O encerramento da Moratória da Soja na Amazônia pode resultar em um desmatamento adicional de 1,4 milhão de hectares nos próximos dez anos, segundo um artigo publicado na revista Science. O número representa um crescimento de 14% em relação às taxas históricas. De acordo com a pesquisa, a perda florestal causaria a emissão de 745 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, montante similar às emissões anuais de todo o Canadá, colocando em risco os esforços brasileiros de conservação.
Eficácia do mecanismo
O estudo, que conta com pesquisadores do WWF-Brasil, Greenpeace Brasil e instituições norte-americanas, destaca que a Moratória da Soja acordo que proíbe a compra do grão produzido em áreas desmatadas na Amazônia desde 2008 foi fundamental para o controle do desmate. Nos primeiros dez anos de vigência, o mecanismo evitou a perda de 1,8 milhão de hectares de floresta e reduziu em 35% o desmatamento em áreas vulneráveis à expansão da cultura.
Os pesquisadores refutam críticas sobre limitações econômicas, apontando que existem cerca de 1,7 milhão de hectares já abertos e aptos para o cultivo na Amazônia. Assim, o aumento da produção seria plenamente possível sem a necessidade de novos desmatamentos. Além disso, a análise indica que a Moratória não provocou distorções de mercado nem afetou a remuneração dos produtores, funcionando como um aliado para uma cadeia produtiva mais competitiva frente às exigências ambientais internacionais.
Judicialização e futuro no STF
O debate sobre a manutenção do acordo chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em janeiro de 2026, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua desfiliação da Moratória. Após tentativas de mediação frustradas em junho, quatro ações judiciais que contestam a legalidade do pacto seguem para julgamento, com início previsto no plenário do STF para o dia 12 de agosto.
Entre os temas em análise, está a decisão liminar do ministro Flávio Dino que suspendeu contestações administrativas contra o pacto e a validade de uma lei estadual do Mato Grosso que penaliza empresas signatárias da Moratória. Para especialistas, a continuidade de mecanismos de transparência e responsabilidade compartilhada é vital para que a expansão agrícola caminhe lado a lado com a preservação de serviços ecossistêmicos essenciais para o próprio setor.
Perguntas frequentes
Qual o impacto ambiental estimado com o fim da Moratória da Soja?
Estima-se o desmatamento de 1,4 milhão de hectares adicionais na Amazônia em dez anos e a emissão de 745 milhões de toneladas de CO₂ equivalente.
É necessário desmatar para aumentar a produção de soja?
Não. Segundo o estudo, existem cerca de 1,7 milhão de hectares de terras já abertas e aptas para o cultivo na região amazônica.
Qual a posição do setor industrial sobre o acordo?
Em janeiro de 2026, a Abiove, que representa gigantes do setor como Cargill e Bunge, anunciou a desfiliação oficial da Moratória da Soja.
O que o STF julgará a partir de 12 de agosto?
O tribunal analisará a constitucionalidade da Moratória, incluindo uma liminar que protege o acordo e leis estaduais que punem empresas signatárias.
Com informações de Rafael Cardoso – Repórter da Agência Brasil
Fonte: Francisco Rodrigo
da redação FM
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