Estudo da UFPE aponta que poluição sonora em praias turísticas de Pernambuco afeta reprodução, alimentação e defesa territorial de espécies marinhas.
© Edmar Paz/Divulgação
Pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) constataram que o ruído gerado por motores de embarcações, motos aquáticas e pela movimentação de banhistas afeta diretamente a comunicação sonora entre os peixes. Publicado nesta segunda-feira (20) na revista científica Neotropical Ichthyology, o trabalho aponta que a poluição sonora subaquática encobre os sons emitidos pelas espécies, representando riscos para a saúde dos recifes de corais e para o equilíbrio dos ecossistemas costeros.
Impactos na fauna marinha
O trabalho de campo foi conduzido em praias turísticas do litoral de Pernambuco, especificamente em Carneiros (na Área de Proteção Ambiental de Guadalupe) e em Tamandaré (na APA Costa dos Corais). Utilizando sistemas de gravação subaquática e censos visuais com mergulhadores, a equipe monitorou os sons e mapeou entre 18 e 23 espécies de peixes locais. Os resultados mostraram uma redução clara na ocorrência de vocalizações exatamente nos pontos com maior tráfego humano.
Segundo Túlio Freire Xavier, um dos autores do estudo do Laboratório de Pesquisa em Ictiologia e Ecologia de Recifes da UFPE, o barulho provoca o chamado mascaramento acústico ou leva os animais a suprimirem suas emissões sonoras. Como os peixes utilizam sons em momentos fundamentais como reprodução, defesa de território e alimentação, a interferência humana compromete comportamentos essenciais para a sobrevivência das espécies e para a manutenção dos recifes, que desempenham papéis cruciais no controle de algas e na produtividade ambiental.
Recomendações e panorama geral
Embora o experimento tenha focado no litoral pernambucano, os pesquisadores alertam que o problema pode ocorrer em outras regiões de relevância ecológica no país, como Abrolhos e Fernando de Noronha, sempre que houver intenso turismo náutico. Para mitigar os danos, o estudo sugere a adoção de medidas de manejo relativamente simples, como o estabelecimento de rotas específicas para embarcações, a redução de velocidade em áreas sensíveis e a inclusão da preservação da paisagem sonora no planejamento das atividades turísticas e de conservação.
Perguntas frequentes
Qual foi a principal constatação da pesquisa da UFPE?
O estudo revelou que o ruído de embarcações e banhistas encobre os sons dos peixes, prejudicando a comunicação essencial para a alimentação, reprodução e defesa de território.
Onde o trabalho de campo foi realizado?
A monitoração acústica e visual ocorreu nas praias de Carneiros e Tamandaré, localizadas em áreas de proteção ambiental no litoral de Pernambuco.
De que maneira o barulho afeta os animais?
O ruído causa mascaramento acústico ou faz com que os peixes reduzam a emissão de sons, o que compromete comportamentos biológicos fundamentais.
Quais soluções são apontadas pelos pesquisadores?
Eles sugerem medidas preventivas como o ordenamento de rotas de barcos, a diminuição da velocidade em locais sensíveis e a inclusão da variável sonora nas políticas de manejo ambiental.
Com informações de Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil
Fonte: Francisco Rodrigo
da redação FM
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