Prefeito de Porto Velho cobra maior atuação do Estado diante da violência provocada por facções criminosas

Prefeito de Porto Velho cobra maior atuação do Estado diante da violência provocada por facções criminosas

 Um vídeo publicado nesta quarta-feira (15) pelo prefeito de Porto Velho, Léo Moraes (Podemos), em suas redes sociais reacendeu o debate sobre a escalada da violência atribuída à atuação de facções criminosas na capital e o papel do Governo de Rondônia no enfrentamento da criminalidade.

                    


a gravação, o prefeito destaca o avanço dos conflitos entre organizações criminosas e exibe manchetes de veículos de comunicação que noticiam, de forma recorrente, homicídios e outros crimes relacionados à disputa entre facções. Embora não apresente dados estatísticos ou estudos que fundamentem sua análise, Moraes chama atenção para uma realidade que, segundo ele, vem se agravando, especialmente nas zonas Leste e Sul de Porto Velho, onde moradores convivem com o medo da violência e de possíveis invasões de suas residências por criminosos.

Ao abordar as medidas adotadas pelo município, o prefeito afirma que a Prefeitura tem buscado colaborar com as forças de segurança estaduais. “Implantamos a Atividade Delegada para reforçar o policiamento em pontos estratégicos e lançamos o primeiro concurso da história da Guarda Municipal”, destacou.

Sem mencionar diretamente o governador Marcos Rocha (União Brasil), o conteúdo do vídeo pode ser interpretado como uma cobrança por maior protagonismo do Estado na área da segurança pública, responsabilidade que, constitucionalmente, cabe aos governos estaduais. O posicionamento também dialoga com críticas recorrentes de setores da sociedade sobre a necessidade de ampliar o efetivo da Polícia Militar e fortalecer a estrutura operacional das forças de segurança diante do crescimento da criminalidade em Porto Velho.

Ao final da publicação, Léo Moraes reforça que, embora a segurança pública seja uma atribuição do Estado, a administração municipal continuará colaborando dentro de suas competências. “Segurança é dever do Estado, mas não vamos cruzar os braços. Seguiremos colaborando e fazendo tudo o que estiver ao nosso alcance para proteger nossa gente”, afirmou o prefeito.

Déficit histórico compromete o combate ao crime

Em busca de compreender as causas do avanço da violência, a reportagem consultou dados do Ministério Público do Estado de Rondônia (MPRO). Os números revelam um cenário de déficit histórico nas forças de segurança, fator que compromete a capacidade operacional do Estado para manter o policiamento ostensivo, fortalecer as ações de inteligência e enfrentar com maior eficiência a expansão das facções criminosas em Rondônia.

A Polícia Militar de Rondônia (PMRO) conta atualmente com cerca de 4.710 policiais militares na ativa, quando o quadro considerado ideal é de 8.364, um déficit superior a 3.600 profissionais. A realidade da Polícia Penal é igualmente preocupante, com uma carência que ultrapassa 3.900 servidores, comprometendo a segurança nas unidades prisionais e a capacidade de fiscalização do sistema.

Embora o crescimento das facções tenha causas complexas, como fatores sociais, econômicos, falhas no sistema prisional e a atuação do crime organizado em âmbito nacional, é difícil ignorar que a insuficiência de efetivo reduz a capacidade de resposta do Estado.

Nesse contexto, o discurso de que a segurança pública é dever do Estado deixa de ser apenas uma previsão constitucional para se tornar uma cobrança legítima da sociedade. Investir na recomposição dos quadros das forças de segurança, modernizar equipamentos, fortalecer a inteligência policial e ampliar a integração entre as instituições não representa apenas uma política pública: é uma condição indispensável para recuperar territórios, proteger a população e impedir que o poder das facções continue avançando.

A realidade de Porto Velho também contrasta com a de outras capitais brasileiras no que diz respeito ao policiamento ostensivo. Em Manaus, por exemplo, esse modelo integra uma política permanente de segurança pública. De acordo com a Agência de Notícias do Amazonas, órgão oficial do Governo do Estado, o policiamento ostensivo consiste na atuação visível e fardada dos agentes de segurança pública, com o objetivo de prevenir crimes, preservar a ordem pública e ampliar a sensação de segurança da população. O trabalho é desenvolvido principalmente pela Polícia Militar do Amazonas (PMAM), com o apoio de operações integradas e, em determinadas áreas, da Guarda Municipal.

Situação semelhante é observada em Belo Horizonte. Conforme informações da Prefeitura da capital mineira, o policiamento ostensivo funciona de forma preventiva e repressiva, sendo coordenado principalmente pela Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), em atuação integrada com a Guarda Civil Municipal de Belo Horizonte (GCMBH) e os órgãos responsáveis pelo trânsito. O patrulhamento é distribuído estrategicamente em áreas de grande circulação de pessoas para inibir a criminalidade e ampliar a sensação de segurança da população.

Em Porto Velho, entretanto, moradores afirmam que a presença de policiais a pé nas principais avenidas, regiões comerciais e locais de grande circulação é inexistente, tornando-se mais frequente apenas em datas comemorativas, grandes eventos ou operações específicas. Há décadas, a população reivindica a ampliação desse modelo de patrulhamento, sob o entendimento de que a presença ostensiva das forças de segurança contribui para inibir a ação de criminosos e aumentar a sensação de segurança.

Durante a apuração da reportagem, estudantes relataram insegurança até mesmo para percorrer ruas da capital durante o dia. Muitos afirmaram evitar determinados trajetos e horários por receio de assaltos e de episódios de violência, demonstrando que o medo da criminalidade já faz parte da rotina de quem vive em Porto Velho.

Embora a presença ostensiva, por si só, não seja suficiente para solucionar o problema da violência, especialistas em segurança pública apontam que o policiamento preventivo, aliado à inteligência policial, ao monitoramento tecnológico e ao reforço do efetivo, constitui uma das principais estratégias para inibir a ação de criminosos, fortalecer a confiança da população nas instituições e ampliar a presença do Estado nas ruas.


Fonte: Fabiano Coutinho

da redação FM

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