Em meio a ataques dos EUA e bloqueio naval, Teerã alerta que responderá a qualquer ofensiva contra sua infraestrutura atacando alvos na região do Golfo.
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O governo do Irã declarou nesta quinta-feira (16) que o Estreito de Ormuz é uma “linha vermelha” inviolável, intensificando a tensão após uma quinta noite de ataques realizados pelos Estados Unidos. Os EUA, que restabeleceram um bloqueio naval aos portos iranianos, afirmam que o objetivo é reabrir o estreito, fechado pelo Irã no último sábado após o fim de uma trégua. O negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, classificou o cenário como uma “guerra essencial e existencial contra os Estados Unidos”.
Ameaças à infraestrutura
A escalada do conflito ocorre após o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçar atacar usinas de energia e pontes iranianas caso Teerã não retome as negociações. Em resposta, o porta-voz do Exército iraniano, general Mohammad Akraminia, afirmou que, se a ameaça for cumprida, o Irã atacará toda a infraestrutura na região do Golfo, prometendo uma resposta “mais severa, de maior alcance e mais destrutiva” do que as anteriores.
O Exército iraniano também emitiu um alerta aos países vizinhos, especificamente Kuweit e Jordânia, declarando que é inaceitável permitir que os EUA utilizem bases em seus territórios para lançar ataques contra o solo iraniano. O governo de Teerã afirmou ter mirado bases norte-americanas nessas nações e reforçou que qualquer colaboração com os EUA não ficará sem resposta.
Controle estratégico e implicações globais
O Estreito de Ormuz, responsável por cerca de um quinto dos embarques mundiais de petróleo e gás, permanece no centro do embate. O Irã sustenta que possui capacidade de controlar a via a partir de qualquer ponto de seu território, independentemente de costas ou ilhas. Segundo autoridades norte-americanas, os ataques dos EUA visam destruir capacidades militares iranianas antes de operações complexas, enquanto o Irã condiciona a reabertura do estreito ao cumprimento de um memorando assinado em junho e à adoção de suas normas de tráfego marítimo.
A possibilidade de um conflito em grande escala cresce, com analistas alertando que o Irã poderia utilizar aliados houthis no Iêmen para bloquear o Estreito de Bab el-Mandeb, ameaçando outra artéria energética vital. O conflito atual já resultou em milhares de mortes e milhões de deslocados, com reflexos significativos no Irã, no Líbano e em novas frentes envolvendo o Hezbollah.
Perguntas frequentes
Por que o Estreito de Ormuz é um ponto de conflito?
É uma rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás mundial, sendo considerado pelo Irã uma “linha vermelha” sob seu controle.
O que o Irã exige para reabrir o estreito?
Teerã condiciona a abertura ao cumprimento de um memorando de 14 pontos assinado em junho e à implementação de suas normas de tráfego marítimo.
Qual a ameaça do Irã aos vizinhos que abrigam bases dos EUA?
O Irã declarou que fornecer bases para ataques contra o território iraniano é inaceitável e resultará em resposta direta.
Existe risco de expansão do conflito?
Sim. Analistas apontam que o Irã pode usar aliados houthis no Iêmen para bloquear outras rotas energéticas, como o Estreito de Bab el-Mandeb.
Com informações de Jana Choukeir e Nayera Abdallah – Repórteres da Reuters
Fonte: Francisco Rodrigo
da redação FM
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