Setor do cacau em Rondônia teme desequilíbrio econômico com entrada de fruto da África

Setor do cacau em Rondônia teme desequilíbrio econômico com entrada de fruto da África

 Entidade alerta para riscos econômicos e fitossanitários com a entrada de amêndoas africanas no país e cobra transparência do MAPA para proteger a produção nacional e a cacauicultura de Rondônia.

           

Associação dos Cacauicultores e Chocolateiros de Rondônia (CACAURON) manifestou profunda preocupação com a recente chegada de carregamentos de cacau vindos da África ao Porto de Ilhéus, na Bahia. Em nota oficial publicada no Instagram, a entidade alerta que a entrada dessas amêndoas estrangeiras sem o devido rigor de transparência pode desequilibrar a cadeia produtiva nacional. O setor teme que a prática prejudique a economia regional, especialmente em estados como Rondônia, que tem investido massivamente na produtividade e na qualidade superior do fruto.

Além do impacto financeiro, o comunicado destaca um risco fitossanitário imensurável para o parque cacueiro nacional devido à possível introdução de pragas e doenças inexistentes no território brasileiro. Diante desse cenário, a CACAURON oficializou pedidos de esclarecimento ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para exigir o detalhamento das etapas de checagem e a apresentação do laudo de classificação das amêndoas importadas.

A diretoria da entidade também busca apoio junto à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para que sejam realizados novos estudos sobre o regime de drawback do cacau e os impactos no comércio de amêndoas nacionais. O objetivo é avaliar critérios que possam estar favorecendo a importação em detrimento do produto interno. A CACAURON questiona a real necessidade técnica e econômica dessas compras externas, visto que o Brasil caminha para a autossuficiência e o fortalecimento do mercado interno com produtos de alta excelência.

Por fim, a associação ressalta que a valorização da produção nacional é fundamental para garantir a renda da agricultura familiar e a soberania da cacauicultura brasileira. O texto defende que o cacau brasileiro possui diferenciais competitivos, como selos de Indicação Geográfica (IG) e os conceitos de produção de chocolate bean to bar e tree to bar, que atestam a originalidade e qualidade do fruto. A CACAURON afirma que permanecerá vigilante e em diálogo constante com redes de produtores para evitar que decisões externas comprometam o sustento das famílias rondonienses.

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