Mundo - Ultraconservadores vencem eleições regionais na Alemanha e derrubam partido de Merz

Mundo - Ultraconservadores vencem eleições regionais na Alemanha e derrubam partido de Merz

 

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AfD lidera em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental com 37%-38%, enquanto SPD fica em segundo com 36,5%; em Berlim, Die Linke lidera com 24,5%-26%

O partido ultraconservador Alternativa para a Alemanha (AfD) voltou a avançar em eleições regionais alemãs neste domingo (20), segundo pesquisas de boca de urna divulgadas pelas emissoras públicas ARD e ZDF. Dois pleitos foram realizados simultaneamente: em Berlim e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.

Na região costeira do nordeste do país, a AfD se impôs com entre 37% e 38% dos votos, um crescimento de 21,3 pontos percentuais em relação às eleições de 2021. Em segundo lugar ficou o Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), com 36,5%, uma perda de 3,1 pontos em comparação com o pleito anterior.

O avanço da AfD afetou principalmente a União Democrata Cristã (CDU) do chanceler Friedrich Merz, que obteve 5% dos votos — o pior resultado de sua história na região. “É um desastre”, afirmou Merz, que assumiu a responsabilidade pelo resultado: “As reformas têm que chegar. Assumo esta responsabilidade porque quero que nosso país avance”.

Cenário em Berlim

Em Berlim, o cenário foi diferente. O partido de esquerda Die Linke, liderado por Elif Eralp, encabeça a disputa com 24,5% a 26% dos votos. “Em nossa cidade, o amor e a justiça triunfaram sobre o ódio”, declarou a líder. O partido prometeu resolver os problemas de moradia na capital alemã reduzindo os aluguéis e expropriando apartamentos de grandes imobiliárias. Eralp é filha de pais turcos e afirmou que “enviaria uma mensagem muito poderosa se alguém com antecedentes migratórios se tornasse prefeito de Berlim”.

Na capital, a AfD recebeu entre 13% e 16% dos votos, um desempenho mais discreto do que no nordeste. Os democratas-cristãos ficaram como segunda força, com 20% do sufrágio.

Reação do chanceler

O duplo revés decepcionou o chanceler Merz, que considerou que “a confiança nas instituições do nosso país está diminuindo”. Segundo ele, sua credibilidade está sendo “ativamente minada por partidos radicais tanto de esquerda quanto de direita”. Merz declarou na sede berlinense da CDU que “o que precisa ser feito agora requer caráter, firmeza e paciência” e prometeu demonstrar isso como presidente do partido e como chanceler.

Contexto e implicações

O avanço da AfD neste domingo se assemelha ao ocorrido há duas semanas na Saxônia-Anhalt, onde o partido quase alcançou a maioria absoluta e pode chegar a um governo regional pela primeira vez. Com os resultados de hoje, a líder nacional da AfD, Alice Weidel, afirmou: “Somos a força mais forte e chegamos à maioria da população”.

O crescimento da AfD representa mais um obstáculo para o chanceler, que já enfrentava dificuldades para aprovar suas reformas econômicas e de bem-estar com seus parceiros do SPD. A aliança entre conservadores e social-democratas pode ser o freio para a AfD, que mantém posturas simpáticas a Donald Trump e Vladimir Putin. Resta saber se o partido ultraconservador conseguirá algum acordo para formar governo.

Gazeta Brasil

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