Surto de ebola na RDC atinge recorde de casos no primeiro mês

Surto de ebola na RDC atinge recorde de casos no primeiro mês

 Organização Mundial da Saúde aponta que propagação acelerada em centros urbanos desafia o controle da doença; equipes reforçam estrutura de tratamento.

                                 © REUTERS/Gradel Muyisa Mumbere/ Proibido reprodução


O atual surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) contabilizou o maior número de casos confirmados durante o primeiro mês de registro entre todos os episódios da doença já monitorados. A informação foi confirmada por Abdirahman Mahamud, representante da Organização Mundial da Saúde (OMS), durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (23) em Genebra. Segundo a entidade, a magnitude do surto está diretamente ligada ao rápido avanço do vírus para áreas urbanas, como Bunia e a cidade mineradora de Mongbwalu, diferentemente de surtos anteriores que costumavam se iniciar e se extinguir em zonas rurais.

Desafios no combate

A cepa detectada, conhecida como Bundibugyo, já infectou mais de 1 mil pessoas e resultou em 267 mortes. Especialistas indicam que a identificação ocorreu tardiamente, com o vírus circulando meses antes da declaração oficial do surto, em 15 de maio. “O importante é que precisamos ampliar nossa resposta, e este surto está se espalhando mais rápido do que nós”, declarou Mahamud aos jornalistas após retornar da região de Bunia.

Sinais de progresso

Apesar da gravidade, a OMS observa avanços na resposta ao cenário crítico. Nas últimas duas semanas, a capacidade de atendimento foi reforçada com um rápido aumento no número de leitos, ultrapassando a marca de 500 unidades para o tratamento de pacientes. Além disso, o representante da organização destacou que a hostilidade e a resistência das comunidades locais contra as equipes de saúde têm diminuído. De acordo com Mahamud, há uma conscientização crescente sobre os riscos da doença, com um número maior de comunidades solicitando recursos para proteção e apoio no combate ao ebola.

Por Emma Farge e Ayen Deng Bior - Repórteres da Reuters - 20

da redação FM

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