Governo federal preserva cronograma de elevação de impostos para eletrificados, mas abre exceção temporária com alíquota zero para modelos desmontados.
© José Cruz/Agência Brasil
O Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidiu manter o cronograma de aumento das tarifas de importação para veículos elétricos e híbridos. Apesar da continuidade na política de taxação, o órgão aprovou a recriação de uma cota de importação com alíquota zero para modelos desmontados (CKD) e semidesmontados (SKD). A medida terá vigência de seis meses a partir de 1º de julho do próximo ano, com um limite de 463 milhões de dólares para veículos que permitem montagem final no Brasil.
Tarifação escalonada
Conforme o Gecex, a tarifa para veículos eletrificados semidesmontados (SKD) subirá para 35% em julho. Para os modelos desmontados (CKD), a alíquota permanece em 14% até o final de 2026, atingindo o patamar de 35% apenas em janeiro de 2027. A cota com imposto zero terá o mesmo valor do mecanismo vigente até janeiro deste ano, e importações que superarem esse limite estarão sujeitas às tarifas do cronograma oficial. Veículos eletrificados totalmente montados não foram contemplados na decisão e continuam seguindo as normas tributárias já estabelecidas.
Divergências entre governo e indústria
O governo defende que a medida visa alinhar a política comercial à renovação da frota, ao incentivo à inovação e à redução de emissões de carbono. Segundo o Gecex, o fomento aos eletrificados é estratégico para a descarbonização da cadeia automotiva nacional e para a adoção de tecnologias sustentáveis.
A decisão, contudo, enfrentou resistência da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que manifestou “grande preocupação”. A entidade alerta que a manutenção de cotas com alíquota zero pode prejudicar fabricantes instalados no Brasil, trabalhadores do setor e a cadeia nacional de autopeças. Representantes da indústria, sindicatos e entidades empresariais apontam possíveis impactos negativos na produção local como consequência da medida.
Por Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil - 20
da redação FM




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