CNJ lança aplicativo A.Dot para incentivar adoções tardias

CNJ lança aplicativo A.Dot para incentivar adoções tardias

 Ferramenta digital facilita a busca ativa de crianças e adolescentes com maior dificuldade de inserção em famílias, priorizando adoções de irmãos e perfis especiais.

                                                                 © Marcelo Camargo/Agência Brasil


O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) oficializou, nesta segunda-feira (25), Dia Nacional da Adoção, o lançamento do aplicativo A.Dot. A plataforma surge como uma extensão tecnológica do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), voltada especificamente para a busca ativa de crianças e adolescentes que, por seu perfil, enfrentam maior dificuldade em encontrar um lar definitivo. O público-alvo prioritário da iniciativa engloba adolescentes, crianças mais velhas, grupos de irmãos e jovens com deficiência ou necessidades específicas de saúde.

Desenvolvido originalmente no âmbito do Tribunal de Justiça do Paraná e agora expandido para todo o país, o aplicativo permite que pretendentes devidamente habilitados iniciem o processo de aproximação de forma segura. O acesso é unificado pelo portal Gov.br, permitindo que os usuários realizem o pré-cadastro e acompanhem as etapas de habilitação. Atualmente, a plataforma já conta com 1.787 perfis cadastrados, incluindo fotos e conteúdos audiovisuais que humanizam a apresentação dos menores.

Visibilidade ética e humanizada

O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal e do CNJ, ressaltou que a ferramenta é um passo fundamental para o fortalecimento da proteção integral. “O aplicativo permite que pretendentes habilitados tenham acesso seguro a informações autorizadas, contribuindo para decisões mais conscientes e responsáveis”, afirmou. O uso da ferramenta exige, contudo, rigor absoluto quanto à preservação da identidade, imagem e sigilo dos jovens, cuja inclusão na plataforma é sempre precedida de autorização judicial.

A iniciativa busca romper barreiras geográficas, permitindo que pretendentes em qualquer estado brasileiro acessem, diretamente pelo celular, as informações sobre crianças aptas à adoção em outras unidades da federação. O juiz Hugo Zaher, gestor do SNA, destacou que o objetivo central é reduzir a invisibilidade de crianças que frequentemente são preteridas nos processos tradicionais de adoção. Segundo o magistrado, a busca ativa é uma alternativa eficaz, especialmente para manter grupos de irmãos unidos, prática que hoje representa 65% das adoções realizadas por este meio.

Estatísticas do sistema

Dados do CNJ revelam que o perfil das crianças em busca ativa é composto majoritariamente por jovens com mais de oito anos (mais de 90% do total) e que, em mais de 60% dos casos, possuem ao menos um irmão, reforçando a importância de políticas que não separem grupos familiares. Desde 2019, o Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento já viabilizou mais de 33,5 mil adoções no país. O aplicativo A.Dot se consolida, portanto, como uma peça estratégica na política nacional de adoção, utilizando a tecnologia para transformar histórias e garantir o direito de crianças e adolescentes ao convívio familiar.

Por Luiz Claudio Ferreira - Repórter da Agência Brasil - 20

da redação FM

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