Réus Dr. Jairinho e Monique Medeiros enfrentam júri popular no Rio de Janeiro após adiamento causado por abandono de plenário em março.
© Tomaz Silva/Agência Brasil
O segundo Tribunal do Júri, no centro do Rio de Janeiro, sedia nesta segunda-feira (25) o julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, e de Monique Medeiros. Os dois são acusados de envolvimento no assassinato do menino Henry Borel, de 4 anos, ocorrido em março de 2021. O processo retoma o curso após o abandono do plenário pela defesa de Jairinho no dia 23 de março, manobra que forçou o adiamento da sessão anterior.
Naquela ocasião, a juíza Elizabeth Machado Louro indeferiu o pedido de suspensão apresentado pela defesa e determinou o prosseguimento do caso. Desde então, o processo enfrentou desdobramentos significativos, incluindo a soltura e a posterior nova prisão de Monique Medeiros, após decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em abril. Ela retornou ao sistema prisional após se entregar às autoridades no dia 20 de abril.
Acusações e dinâmica do julgamento
A denúncia do Ministério Público aponta que, na madrugada de 8 de março de 2021, o menino Henry foi morto após ser espancado por Dr. Jairinho. Monique Medeiros é acusada de omissão qualificada, por não ter protegido o filho. Além do homicídio qualificado, o ex-vereador responde por três episódios de tortura praticados contra a criança ao longo do mês de fevereiro de 2021.
O rito do julgamento prevê a audição das testemunhas de acusação, seguidas pela defesa, esclarecimentos de peritos e o interrogatório dos réus. Ministério Público e defesas dispõem de 2h30 cada para suas exposições, com possibilidade de réplica e tréplica. A sentença será proferida pela juíza após a votação dos jurados, que decidirão sobre a materialidade e a autoria dos crimes por maioria de votos.
Apreensão e expectativa
A expectativa pela conclusão do caso é acompanhada de perto pelo pai da criança, Leniel Borel. Ele manifestou preocupação diante da possibilidade de um novo abandono por parte dos advogados de Jairinho, o que configuraria um novo adiamento. Para a família, a morosidade do processo representa um descaso com a memória de Henry e com a própria Justiça brasileira. A sociedade aguarda o desfecho de um dos crimes que mais causou comoção nacional nos últimos anos.
Por Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil - 20
da redação FM


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