Banco Central confirma solidez do sistema após liquidação do Master

Banco Central confirma solidez do sistema após liquidação do Master

 Recursos ressarcidos pelo FGC migraram majoritariamente para grandes bancos; autoridade monetária descarta qualquer risco sistêmico para o país.

                                                        © Marcello Casal JrAgência Brasi

A liquidação extrajudicial do conglomerado Master não gerou impactos negativos ao Sistema Financeiro Nacional (SFN), conforme aponta o Relatório de Estabilidade Financeira (REF) divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (25). Segundo a autoridade monetária, os R$ 37,7 bilhões pagos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) aos clientes das instituições liquidas foram realocados, em sua maioria, para bancos de grande porte, classificados como S1 e S2, que detêm maior solidez e relevância sistêmica.

O monitoramento detalhado realizado pelo Banco Central indicou que 40,9% dos recursos foram absorvidos por instituições de categoria S1 bancos com ativos superiores a 10% do PIB ou atuação internacional enquanto 24,2% foram destinados a bancos S2. O diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, destacou que a migração dos valores foi acompanhada individualmente, garantindo que o episódio, que envolveu um conglomerado responsável por apenas 0,1% dos ativos totais do sistema bancário, não oferecesse ameaças à estabilidade financeira nacional.

Cenário econômico e crédito

O relatório reafirma a robustez do SFN, destacando que os níveis de capitalização e liquidez permanecem confortáveis, mesmo diante de um cenário de juros elevados. Testes de estresse realizados pelo BC confirmam a capacidade dos bancos de absorver choques em condições adversas. No entanto, o documento aponta uma desaceleração no ritmo de concessão de crédito ao longo de 2025, impactando tanto empresas quanto famílias.

Para as pessoas físicas, o BC observou um aumento no comprometimento da renda e uma trajetória de alta na inadimplência em diversas modalidades de empréstimos. Apesar do cenário desafiador, a autoridade monetária avalia que as instituições financeiras mantêm provisões adequadas para mitigar perdas futuras. A rentabilidade do setor bancário, por sua vez, manteve-se praticamente estável no último semestre, com o aumento dos resultados operacionais compensando os custos adicionais com provisões.

Avanço do Pix

Além da análise de risco, o relatório destacou a consolidação do Pix como principal motor de inovação no mercado de pagamentos. A ferramenta atingiu a marca de 29% das transações no varejo durante o segundo semestre de 2025, confirmando sua importância crescente na economia cotidiana. O Banco Central mantém, portanto, um tom otimista quanto à resiliência do sistema bancário brasileiro, enfatizando que, embora o ambiente exija cautela com a inadimplência, a estrutura do mercado permanece preparada para suportar variações macroeconômicas.

Por Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil - 20

da redação FM


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