Ministério das Mulheres certifica 80 empresas com selo de equidade

Ministério das Mulheres certifica 80 empresas com selo de equidade

 Premiação reconhece organizações que implementam políticas de igualdade salarial, diversidade racial e apoio ao cuidado familiar em todo o país.


                                                  © Valter Campanato/Agência Brasil

O Ministério das Mulheres entregou, nesta segunda-feira (25), em Brasília, o Selo Pró-Equidade de Gênero e Raça para 80 empresas públicas e privadas. A iniciativa visa incentivar corporações a transformarem suas estruturas de gestão de pessoas, combatendo disparidades históricas e promovendo ambientes mais inclusivos. Entre as premiadas, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) recebeu a certificação pela terceira vez consecutiva, consolidando um histórico de ações voltadas à diversidade e ao bem-estar profissional.

O programa, coordenado em parceria com os ministérios da Igualdade Racial e do Trabalho, além de órgãos internacionais como a ONU Mulheres e a OIT, busca mitigar a diferença salarial que ainda persiste no mercado. Enquanto a média nacional de desigualdade salarial entre homens e mulheres é de 20,9%, nas empresas que integram o programa esse índice é significativamente menor, fixando-se em 15,43%. As medidas contempladas incluem desde a ampliação de licenças e auxílio-creche até programas de progressão de carreira com recortes de gênero e raça.

Diversidade como motor de produtividade

Especialistas e gestores presentes na cerimônia enfatizaram que a equidade não é apenas uma demanda por justiça social, mas um fator estratégico de competitividade. “Economias mais inclusivas são economias mais fortes”, pontuou Gallianne Palayret, representante da ONU Mulheres. O entendimento compartilhado pelos órgãos internacionais é que ambientes que valorizam talentos diversos apresentam maior inovação e eficácia na tomada de decisões, impactando positivamente na produtividade e na rentabilidade do setor privado.

A questão do trabalho de cuidado, frequentemente atribuído de forma desigual às mulheres, também foi pauta central no evento. A ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, e o diretor da OIT no Brasil, Vinicius Pinheiro, alertaram que a “pobreza do tempo” imposta às mulheres que dedicam, em média, 21 horas a mais que os homens em tarefas domésticas precisa ser enfrentada também pelas políticas corporativas. A sugestão é que a gestão do cuidado familiar passe a ser um critério cada vez mais rigoroso nas próximas edições da certificação.

Compromisso da EBC

A EBC foi reconhecida por seu trabalho contínuo, que incluiu o mapeamento detalhado de gênero e raça em seu quadro funcional, a implementação de ações afirmativas em processos seletivos e a criação de infraestrutura de apoio, como salas de amamentação. Mara Régia, coordenadora do Comitê de Pró-Equidade da EBC, ressaltou que a conquista é fruto de um esforço coletivo constante contra retrocessos. Para a estatal, o selo funciona como um horizonte ético, reforçando o compromisso com o combate ao assédio e à violência de gênero dentro e fora do ambiente de trabalho.

Por Gilberto Costa – repórter da Agência Brasil - 20

da redação FM


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