TSE investiga suposta rede coordenada para ampliar alcance de Flávio Bolsonaro nas redes

TSE investiga suposta rede coordenada para ampliar alcance de Flávio Bolsonaro nas redes

 Ação da coligação de Lula aponta 1.826 publicações colaborativas envolvendo 492 perfis


O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou o prosseguimento de uma investigação para apurar uma suposta atuação coordenada de perfis no Instagram em benefício da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. A ação foi apresentada pela Coligação Brasil Pronto pra Mais, que apoia a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e também envolve o candidato a vice Alfredo Gaspar (PL) e o deputado federal Mário Frias (PL-SP).

Segundo a acusação, os envolvidos teriam formado uma rede de contas para ampliar o alcance de conteúdos eleitorais por meio de publicações em coautoria, conhecidas como “collabs”. A coligação afirma que 74 dos perfis mapeados eram contas oficiais de candidatos ou campanhas, responsáveis por 207 collabs. Desse grupo, 26 seriam ligados ao PL.

A ação aponta ainda um padrão de associação entre candidaturas proporcionais e a campanha presidencial. Mário Frias, por exemplo, teria participado de dez publicações em conjunto, nove delas com o perfil “@flaviobolsonaroapoio”. A competência do TSE para investigar o deputado, que disputa a reeleição por São Paulo, ainda será analisada.

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) Imagem: Sergio Lima/AFP
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). (Foto: Sergio Lima/AFP)

Na decisão, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral em exercício, Ricardo Villas Bôas Cueva, considerou que há elementos para apurar o caso e destacou que as publicações ocorreram em “ambiente de propaganda eleitoral”. O magistrado também apontou “perigo de dano” diante da proximidade da eleição e do crescimento das publicações em coautoria relatado na ação.

O TSE determinou que o Facebook preserve e forneça, em até 48 horas, registros de conexão, dados cadastrais, endereços de IP e informações sobre os responsáveis pelas contas investigadas. A decisão também alcança a divulgação de links para a venda de produtos eleitorais na Shopee. Segundo a acusação, 12 perfis, que juntos somariam mais de 10 milhões de seguidores, promoviam esses produtos.

A Shopee também deverá fornecer dados sobre os responsáveis pela loja Bella Chic Store, citada no processo. Em caso de descumprimento das determinações, foi estabelecida multa diária de R$ 50 mil.

A campanha de Flávio Bolsonaro nega irregularidades. Em nota à CNN Brasil, afirmou que “postar em collabs não é ilícito” e que as publicações seriam resultado de iniciativas “voluntárias e orgânicas”. A defesa também nega a existência de uma rede de desinformação e classifica a estrutura como uma “rede orgânica de crítica” a Lula.

da redação FM 

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