Segundo o Painel El Niño 2026-2027, fenômeno tem 100% de probabilidade de permanecer até o início de 2027 e pode alcançar intensidade muito forte entre a primavera e o verão.
O El Niño está confirmado no Oceano Pacífico Equatorial e deverá permanecer, pelo menos, até o início de 2027, segundo o Painel El Niño 2026-2027 – Boletim Mensal nº 02, de julho de 2026. O documento é resultado de uma ação conjunta do Inmet, Inpe, ANA, Cemaden, SGB, Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil e Censipam. De acordo com o Painel, os modelos indicam 100% de probabilidade de permanência do fenômeno até o início de 2027, além de alta probabilidade de que ele alcance a categoria de muito forte entre a primavera e o verão de 2026.

De acordo com o documento, as temperaturas da superfície do mar no Pacífico Equatorial já apresentavam aquecimento significativo. Nas últimas semanas analisadas, as anomalias chegaram a 1,4°C na região do Niño 3.4, 1,8°C no Niño 3 e 3°C no Niño 1+2, configuração considerada consistente com um episódio de El Niño.
Norte concentra um dos principais sinais de alerta
Para o Brasil, o Painel aponta um cenário climático marcado por chuvas abaixo da média no centro-norte do país e temperaturas acima da normalidade durante o trimestre agosto, setembro e outubro. A previsão indica maior probabilidade de precipitações abaixo da média principalmente nas regiões Norte, Nordeste e em grande parte do Centro-Oeste. Em contraste, a Região Sul apresenta maior probabilidade de chuvas acima da média.

Segundo o documento, a combinação entre temperaturas elevadas e déficit de precipitação no centro-norte poderá favorecer baixa umidade relativa do ar, episódios de ondas de calor e maior potencial para queimadas. O Painel ressalta, entretanto, a necessidade de acompanhamento contínuo das condições meteorológicas e hidrológicas para avaliar a evolução desses possíveis impactos.
Rondônia terá transição irregular para o período chuvoso
Em Rondônia, o cenário descrito pelo Painel merece atenção principalmente durante a transição entre a estação seca e o período chuvoso. De acordo com o Censipam, há predominância de chuvas abaixo da média em áreas de Rondônia no trimestre agosto-setembro-outubro, dentro de uma faixa que também abrange áreas do Amazonas, Pará, Amapá, Roraima, Acre, Maranhão e norte do Tocantins.

O documento destaca que os menores acumulados de chuva da Amazônia Legal nesse período concentram-se no centro-sul da região, incluindo o centro-sul de Rondônia. Em agosto, os volumes médios mensais podem ser inferiores a 20 milímetros nessas áreas, aumentando gradualmente ao longo do trimestre.
O Painel também chama atenção para a característica irregular da transição para a estação chuvosa. Segundo o documento, podem ocorrer pancadas de chuva localmente mais intensas, porém distribuídas de forma irregular e intercaladas por períodos prolongados sem precipitação. Portanto, a previsão de chuva abaixo da média não significa ausência total de chuva, mas aponta para uma tendência de maior irregularidade e persistência dos intervalos secos.
El Niño pode atrasar chegada das chuvas na Amazônia
Outro ponto destacado no Painel é a possibilidade de o fortalecimento do El Niño atrasar o estabelecimento da estação chuvosa sobre o sul da Amazônia Legal. De acordo com o documento, esse comportamento poderá prolongar as condições características da estação seca durante parte da primavera.
A previsão do Censipam também indica temperaturas acima da média em toda a Amazônia Legal durante o trimestre agosto-setembro-outubro. O Painel relaciona esse cenário à menor cobertura de nuvens, maior incidência de radiação solar e redução da umidade relativa do ar, fatores que podem intensificar o desconforto térmico durante períodos prolongados sem chuva.
Situação atual de Rondônia ainda é diferente de 2023
Apesar das perspectivas de maior atenção para os próximos meses, o próprio Painel faz uma importante ressalva ao comparar o cenário atual com o El Niño de 2023.
Segundo o documento, a situação de seca observada na Região Norte em junho de 2026 era mais amena do que aquela registrada em junho de 2023. Naquele período, Amazonas, Acre e Rondônia apresentavam focos de seca grave. De acordo com o Painel, essa categoria não era observada no mapa de junho de 2026.
A comparação é importante porque demonstra que o atual cenário não deve ser tratado como uma repetição das condições de 2023. O documento, contudo, alerta que a intensidade do fenômeno aumenta a probabilidade de determinados impactos, embora eventos mais intensos não necessariamente produzam impactos mais severos em todas as regiões.
Rio Madeira permanece dentro da normalidade
No setor hídrico, o Painel informa que as vazões do rio Madeira, na Região Norte, encontravam-se em julho dentro da normalidade para o período natural de recessão hidrológica. As usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio iniciaram a redução sazonal dos níveis dos reservatórios e continuavam liberando vazões superiores aos mínimos estabelecidos em suas outorgas, importantes para a navegabilidade da hidrovia do Madeira.
O documento também aponta, de maneira mais ampla, que a estiagem apresenta distribuição espacial significativa na Amazônia, mas com respostas diferentes entre as sub-bacias. Segundo a análise apresentada no Painel, as áreas central, meridional e oriental apresentam maior persistência do déficit hídrico, enquanto setores do norte e noroeste apresentam condições relativamente menos intensas ou descontínuas.
Sul terá cenário oposto
O comportamento previsto para o restante do Brasil será diferente entre as regiões. Segundo o Painel, a Região Sul apresenta maior probabilidade de chuvas acima da média durante agosto, setembro e outubro, condição que pode beneficiar culturas de inverno, mas também aumentar o risco de doenças fúngicas e dificultar operações agrícolas e colheitas.

No centro-norte do país, por outro lado, a combinação prevista de menor precipitação e temperaturas elevadas aumenta a atenção para os efeitos sobre a agricultura, disponibilidade hídrica e ocorrência de queimadas. O Painel aponta que a colheita do milho segunda safra e do algodão nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste tende a ser favorecida pelas condições previstas, enquanto os impactos sobre outras atividades dependerão da evolução do cenário climático.
Segundo o Painel, monitoramento será fundamental
O cenário apresentado pelo Painel El Niño 2026-2027 – Boletim Mensal nº 02 aponta para um segundo semestre marcado pela influência de um El Niño que poderá se intensificar, com temperaturas acima da média em praticamente todo o Brasil e maior probabilidade de chuvas abaixo da média no centro-norte do país.
Para Rondônia e demais áreas da Amazônia Legal, o principal sinal de atenção está na irregularidade das chuvas, possibilidade de prolongamento da estação seca, temperaturas elevadas e aumento do potencial para incêndios florestais, especialmente diante de períodos prolongados sem precipitação.
O próprio documento reforça que o cenário deve ser acompanhado continuamente, tanto do ponto de vista meteorológico quanto hidrológico. Assim, as condições observadas nos próximos meses serão fundamentais para determinar a intensidade dos impactos associados ao El Niño sobre Rondônia, a Amazônia e as demais regiões brasileiras.

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