Crise climática e avanço global da seca são temas centrais da COP17 na Mongólia

Crise climática e avanço global da seca são temas centrais da COP17 na Mongólia

 Frequência e duração das estiagens aumentaram quase 30% desde 2000, segundo a ONU; evento na Mongólia debate soluções urgentes para segurança hídrica e agrícola.

                                                 © Rafa Neddermeyer/Agência Brasil



A seca deixou de ser um problema restrito a regiões áridas e passou a atingir áreas antes consideradas menos vulneráveis, impulsionada pelas mudanças climáticas. De acordo com a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), a frequência e a duração das estiagens registraram alta de quase 30% desde o ano 2000. O cenário crítico é o foco principal da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia, entre os dias 17 e 28 de agosto de 2026.

Para a secretária executiva da UNCCD, Yasmine Fouad, o momento exige respostas imediatas e coordenadas em nível global. O objetivo central é agir preventivamente para conter impactos em comunidades, economias e fronteiras, em vez de atuar apenas em caráter emergencial. Projeções apontam que, até 2050, três em cada quatro pessoas no planeta poderão ser afetadas pela escassez de água, cuja demanda global deve superar a oferta em até 40% até 2030.

Cenário no Brasil e monitoramento

No território brasileiro, o mês de julho de 2026 registrou impactos de seca em todas as cinco macrorregiões, com pelo menos 157 municípios classificados em situação de seca severa. O fenômeno provoca queda acentuada na umidade do solo, estresse hídrico na vegetação e perdas significativas para a agricultura familiar e comercial. A situação é acompanhada de perto pelo Monitor de Secas, coordenado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), e pelos boletins do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

Especialistas alertam que o quadro tende a se intensificar nos próximos meses, agravado pela previsão de um fenômeno El Niño mais intenso entre agosto e outubro. Historicamente associado à redução de chuvas e elevação de temperaturas nas regiões Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste, o El Niño eleva os riscos de queimadas, secas prolongadas e episódios de curta duração conhecidos como “secas-relâmpago”.

Impacto desigual e populações vulneráveis

Especialistas e gestores públicos ressaltam que o problema afeta de maneira desigual as populações que dependem diretamente dos recursos naturais, a exemplo de indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas e pequenos agricultores. Na Amazônia, que tem enfrentado estiagens históricas recentes, o impacto atinge diretamente a navegação, o abastecimento de comunidades isoladas e a segurança alimentar.

Dados recentes do Cemaden apontam expansão no número de territórios tradicionais atingidos, com dezenas de assentamentos rurais e terras indígenas sob os efeitos de secas severas e extremas, concentrados sobretudo nos estados do Pará, Tocantins, Mato Grosso, Rondônia e Amazonas.

Debates na COP17

Diante do avanço do problema, a conferência na Mongólia busca estimular governos a investirem em sistemas de alerta precoce, recuperação de áreas degradadas e gestão integrada de recursos hídricos. O Brasil integra desde 2024 a Aliança Internacional para a Resiliência à Seca (IDRA), fórum que articula cooperação e investimentos para prevenção de desastres climáticos antes que atinjam o patamar de emergência humanitária e ambiental.

Perguntas Frequentes

Onde está sendo realizada a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17)?

O evento acontece em Ulaanbaatar, na Mongólia, reunindo representantes de diversos países entre os dias 17 e 28 de agosto de 2026.

Quais são as projeções globais da ONU em relação à escassez de água?

Estudos indicam que, até 2050, três em cada quatro pessoas no mundo poderão ser afetadas pela seca, enquanto a demanda por água pode superar a oferta em até 40% até 2030.

Como o fenômeno El Niño influencia o clima no Brasil?

Em períodos de maior intensidade, o El Niño tende a provocar a redução de chuvas e o aumento de temperaturas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, elevando os riscos de secas prolongadas e queimadas.

 

Com informações de Rafael Cardoso – Repórter da Agência Brasil

Francisco Rodrigo

Francisco Rodrigo

Jornalista formado em Comunicação Social/Jornalismo, atua no News Rondônia desde 2017. Atualmente, é chefe de redação e produz conteúdos em diferentes editorias.


Por: Francisco Rodrigo


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