MPRO denuncia seis pessoas por esquema de fraudes em licitações na Operação Golden Plating

MPRO denuncia seis pessoas por esquema de fraudes em licitações na Operação Golden Plating

 Investigação conduzida pelo Gaeco e pela Polícia Federal aponta superfaturamento milionário em contratos com uso de atas do Cimcero e prejuízo aos cofres públicos.


O Ministério Público do Estado de Rondônia, atuando por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, apresentou na última terça-feira, 28/07/2026, uma denúncia formal contra seis pessoas investigadas no âmbito da Operação Golden Plating. A ação penal deflagrada aponta a existência de um esquema criminoso estruturado para simular concorrência, direcionar processos licitatórios e promover o superfaturamento no fornecimento de tubos corrugados de polietileno de alta densidade. O esquema utilizava de forma irregular atas de registro de preços vinculadas ao Consórcio Público Intermunicipal da Região Centro Leste de Rondônia, conhecido como Cimcero.

De acordo com o documento acusatório apresentado pelo Ministério Público, os investigados vão responder perante a Justiça pelos crimes de associação criminosa, frustração do caráter competitivo de licitações e fraude que tornou propostas e contratos mais onerosos para a Administração Pública. A lista de delitos imputados aos réus também abrange os crimes de peculato, corrupção ativa e passiva, infrações contra a ordem econômica e operações de lavagem de dinheiro. As investigações policiais que fundamentaram a denúncia foram conduzidas pela Polícia Federal, tendo início após o encaminhamento de relatórios técnicos elaborados pela Controladoria-Geral da União e pelo Tribunal de Contas do Estado de Rondônia.

Vínculos empresariais e conluio

Segundo a apuração detalhada do Ministério Público, três empresas distintas que participavam dos certames públicos como concorrentes integravam, na realidade operacional, o mesmo grupo econômico e funcionavam sob uma gestão centralizada. A acusação formal aponta que foram descobertos vínculos familiares e profissionais estreitos entre os envolvidos no esquema, além de compartilhamento de endereços de protocolo de internet, administração conjunta de certificados digitais e elaboração coordenada de propostas comerciais. As análises também identificaram movimentações financeiras cruzadas entre as pessoas jurídicas supostamente concorrentes para ocultar a fraude.

Os exames técnicos realizados ao longo da investigação estimaram que o superfaturamento verificado nas contratações públicas causou um prejuízo financeiro efetivo de R$ 8.389.226,84 aos cofres públicos. Na petição inicial da ação penal, o MPRO requereu formalmente que esse montante seja fixado pelo Poder Judiciário como valor de reparação mínima obrigatória pelos danos materiais causados ao erário. O órgão ministerial também solicitou a condenação dos réus ao pagamento de R$ 838.922,68 a título de indenização por dano moral coletivo, em razão da gravidade das condutas lesivas à administração pública rondoniense.

Bloqueio patrimonial e garantias

Como desdobramento das medidas cautelares adotadas durante a fase investigativa, o Ministério Público solicitou a manutenção integral das constrições patrimoniais já determinadas pela Justiça. As ordens de indisponibilidade e sequestro de bens atingiram um total de 42 veículos automotores, a quantia de R$ 504.715,72 em valores depositados ou movimentados, 1.570 cabeças de gado bovino e 3 imóveis. O objetivo principal dessas medidas é assegurar o efetivo ressarcimento aos cofres públicos e garantir fundos para o pagamento das multas e reparações em caso de condenação definitiva dos envolvidos.

 

Com informações de MPRO

Francisco Rodrigo

Francisco Rodrigo

Jornalista formado em Comunicação Social/Jornalismo, atua no News Rondônia desde 2017. Atualmente, é chefe de redação e produz conteúdos em diferentes editorias.


Por: Francisco Rodrigo


da redação FM

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