Descubra como a arqueologia confirma a profecia de Jeremias e o exílio babilônico
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“Às margens dos rios da Babilônia ali nos assentamos e choramos, quando nos lembramos de Sião.” (Salmo 137:1-2)
Após os reinados de Davi e Salomão, Judá enfrentou um destino difícil: foi sitiada por dois grandes impérios, primeiro o assírio e depois o babilônico. Cerca de 70 anos após a morte de Senaqueribe, o império assírio foi derrubado pelos babilônios, e Nabucodonosor tornou-se o rei implacável que conquistaria e destruiria todo o reino de Judá.
Nabucodonosor é um dos vilões da Bíblia, uma espécie de contraponto maligno ao rei Davi. Esse monarca babilônico chegou a destruir o templo de Salomão em 586 a.C. e transformou toda a nação judaica em cativos e exilados. Essa queda é amplamente documentada nas Escrituras e é conhecida como o cativeiro babilônico.
O profeta Jeremias viveu nesse período turbulento, marcado por reis fracos como Jeoaquim, Joaquim e Zedequias. Esses monarcas eram vassalos da Babilônia, pagavam tributos humilhantes e obedeciam às ordens dos governantes estrangeiros. Zedequias foi o último deles e acabou rebelando-se contra Nabucodonosor, provocando a destruição final de Judá.
Jeremias era um profeta pessimista e sombrio. Diferente de Isaías, que apoiava o rei Ezequias, Jeremias denunciava os reis ímpios de Judá, alertando que o castigo divino se aproximava, que Jerusalém cairia e que o rei enfrentaria um destino trágico. Mais surpreendente ainda, ele aconselhava os judeus a se renderem aos babilônios, pois isso significava aceitar o juízo de Deus.
Zedequias não queria ouvir esse conselho. Desejava fortalecer a resistência contra os babilônios e não aceitava a rendição sugerida por Jeremias. Segundo a Bíblia, reuniu alguns de seus auxiliares, incluindo dois príncipes chamados Jeucal, filho de Salum, e Gedalias, filho de Pashur, para vigiar Jeremias. Eles sugeriram matar o profeta, mas o rei recusou. Mesmo assim, os dois o prenderam e o jogaram em um poço, de onde Jeremias conseguiu escapar.
Curiosamente, estive no mesmo poço onde Jeremias foi lançado.
Jeucal e Gedalias são personagens quase esquecidos na Bíblia, semelhantes a figurantes que falam poucas linhas. Não aparecem mais nos textos. No entanto, todas as profecias de Jeremias se cumpriram: Jerusalém foi saqueada como ele previu, Zedequias foi cegado, seus filhos mortos, Judá deixou de existir como nação e o próprio Jeremias tornou-se um exilado.
Descobertas arqueológicas comprovam relatos bíblicos
Avançando dois milênios e meio, entre 2005 e 2008, a arqueóloga Eilat Mazar e sua equipe escavavam na Cidade de Davi, próximo ao templo e ao palácio do rei Davi. Entre os achados, surgiram várias impressões de selos de barro, conhecidos como bullae. Ironia do destino, esses selos foram preservados pelo incêndio que destruiu Jerusalém, pois o calor endureceu o barro, mantendo as inscrições intactas.
Um desses selos trazia o nome Jeucal, filho de Salum. Inicialmente, Mazar e sua equipe não reconheceram o nome, até que, por instinto, consultaram uma concordância bíblica e encontraram a referência exata no texto sagrado. O selo foi datado do século VI a.C., confirmando tratar-se do mesmo personagem. Em 2008, outro selo apareceu com o nome Gedalias, filho de Pashur — os mesmos homens que Zedequias enviou para vigiar Jeremias.
Essas descobertas mostram como a arqueologia bíblica traz à tona detalhes minuciosos da história sagrada. Céticos afirmam que a Bíblia foi escrita séculos depois dos fatos, na época persa ou até helenística, mas quem poderia saber sobre oficiais tão obscuros do reinado de Zedequias depois de tanto tempo? É como tentar nomear funcionários domésticos do século XIX sem registros escritos.
Se Jeucal e Gedalias realmente existiram, Jeremias e Zedequias também foram pessoas históricas. Assim, a Bíblia é confirmada em seus detalhes mais específicos.
A destruição de Judá pelos babilônios é bem documentada tanto historicamente quanto arqueologicamente. Antes do ataque a Jerusalém, os babilônios cercaram a cidade de Laquis, no sudoeste da capital. Nos anos 1930, o arqueólogo britânico James Leslie Starkey descobriu vários ostraca, fragmentos de cerâmica com inscrições, conhecidos como as Cartas de Laquis.
Datadas do século VI a.C., essas inscrições trazem uma mensagem do comandante da fortaleza de Laquis ao comandante em Jerusalém, informando que não conseguem mais ver os sinais de fumaça no posto avançado de Azeca, porque os babilônios dominaram a cidade. Laquis estava prestes a cair, revelando a urgência desesperada dos seus defensores.
Essas cartas confirmam Jeremias 34:7, que diz: “O grande rei da Babilônia sitiou Jerusalém, Laquis e Azeca as únicas cidades fortificadas restantes em Judá.”
Em 586 a.C., as tropas de Nabucodonosor invadiram e destruíram Jerusalém. Esse evento, descrito vívida e detalhadamente na Bíblia, é corroborado pelos registros babilônicos chamados Crônicas Babilônicas, que são documentos em tábuas de argila contendo os principais acontecimentos de cada ano, recuperados e decifrados por arqueólogos.
Um detalhe interessante foi encontrado em uma escavação em um templo dedicado ao deus Marduk, na Babilônia. Lá foi achada uma pequena tábua em escrita cuneiforme mencionando uma oferta de ouro feita por Nebo-Sarsequim, o chefe dos eunucos, no décimo ano do reinado de Nabucodonosor.
Quem é Nebo-Sarsequim? Uma figura sem importância na história judaica, mas mencionada na Bíblia. Jeremias 39:3 registra: “Todos os oficiais do rei da Babilônia vieram e sentaram-se no Portão do Meio — Nergal-Sarezer de Samgar, Nebo-Sarsequim, o principal oficial.” Assim, mais uma vez, um personagem secundário da Bíblia aparece confirmado nos registros históricos.
O exílio e a reivindicação da terra prometida
O dispersão dos judeus após a queda de Jerusalém em 586 a.C. é conhecida como a diáspora judaica. Foi a primeira grande dispersão da nação, que seria seguida por outra, em 70 d.C., quando os romanos destruíram Jerusalém e muitos judeus foram novamente forçados a deixar sua terra.
É importante destacar que, em todas essas ocasiões, os judeus não partiram voluntariamente. Eles não abriram mão da terra. Se tivessem saído por vontade própria, poderia-se argumentar que perderam seu direito ancestral, fazendo com que outras populações tomassem seu lugar — argumento usado por palestinos para justificar suas reivindicações territoriais.
No entanto, os judeus foram expulsos à força, transformados em exilados pelos babilônios e refugiados dispersos pelos romanos. Por isso, quando retornaram séculos depois, eles reivindicaram com razão a terra que sempre lhes pertenceu, não apenas por promessa divina, mas também por evidências históricas e arqueológicas.
Dinesh D’Souza nasceu em Mumbai, Índia, e veio para os Estados Unidos como estudante de intercâmbio em 1978. Formado em Dartmouth College, trabalhou como analista de políticas na Casa Branca de Reagan e foi pesquisador em dois renomados institutos, o American Enterprise Institute e o Hoover Institution, em Stanford. É autor best-seller do New York Times, com livros sobre política, religião, cultura e economia, incluindo obras de apologética cristã. Produz também o podcast diário The Dinesh D’Souza Podcast, acompanhado por cerca de 100 mil pessoas diariamente.
Este artigo foi originalmente publicado na Charisma Magazine Online. (Com informações de Dinesh D'Souza – Mycharisma)
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