Saiba como o pecado se infiltra e como a igreja pode resistir com a Palavra
Lembro-me claramente de uma vez em que assistia a um programa com toda a minha família, que parecia inocente, até surgir uma cena que me fez corar de vergonha. Não consegui encontrar o controle remoto e, desajeitadamente, corri até a TV para desligá-la, tropeçando na tigela de pipoca da minha filha mais nova e quase caindo em todo o móvel da sala. Foi uma verdadeira comédia de erros. Felizmente, minha filha mais velha encontrou o controle e conseguiu desligar a TV, evitando que minha filha de oito anos testemunhasse uma visão mundana do amor, repleta de imagens perturbadoras.
Infelizmente, não podemos esconder ou proteger totalmente nossos filhos dos males deste mundo. Vivemos em uma realidade quebrada e confusa, marcada pela dureza de nossos corações corrompidos e a constante inclinação para os desejos da carne.
Em outras palavras, não podemos impedir que um navio afunde por más decisões. Porém, podemos buscar um bote salva-vidas, lançar uma âncora e vestir o colete salva-vidas para seguir em frente e nos preservar. E sim, nessa analogia, Jesus é esse bote, âncora e colete.
Por isso, nossas escolhas importam – e muito!
A verdade é que não podemos permanecer em Jesus e, ao mesmo tempo, nos deixar levar pelos caminhos do mundo. Precisamos escolher um lado. Não dá para flertar com o pecado e esperar viver uma vida que glorifique a Deus; isso simplesmente não é possível.
Então, vamos ser sinceros e honestos conosco mesmos. Convido você a identificar o que pode estar infiltrando em sua vida e afastando-o da vida abundante que Jesus nos oferece (João 14:6). Escolha o que é honrável, nobre, justo e bom (Filipenses 4:8). Esforce-se para agir com justiça, amar a misericórdia e andar humildemente com o Senhor (Miquéias 6:8).
1. Acomodação: o perigo da zona de conforto
Muitas vezes, nos acomodamos em áreas da nossa vida onde nos sentimos seguros e confiantes. Achamos que não precisamos mais nos esforçar e passamos a nos desligar emocionalmente. A expressão “é o que é” vem à mente. A vida pode se tornar rotineira, pesada ou até entediante.
Embora a acomodação não seja pecado por si só, ela pode levar ao pecado quando negligenciamos cuidar de nós mesmos e dos outros (Provérbios 1:32). Deixamos de investir tempo e, assim, o amor e a manutenção dos relacionamentos e das bênçãos recebidas acabam sendo subestimados.
O problema é que a acomodação gera autossatisfação. Entramos em uma rotina onde não sentimos necessidade de gastar mais energia ou fazer esforço, simplesmente desistimos ou deixamos a vida nos levar sem cuidado.
Esse entorpecimento para com os outros – e até para conosco – pode causar muita devastação. Além disso, abre a porta para o inimigo sussurrar que algo melhor existe: um parceiro melhor, um emprego melhor, filhos melhores… Você entende aonde quero chegar. A acomodação cria a ilusão de que precisamos de algo melhor.
O profeta Sofonias 1:12 nos alerta contra a acomodação, que pode nos afastar de Deus. Devemos pedir a Ele que transforme nossos corações e pensamentos, para que possamos contar nossas bênçãos e mudar nossa perspectiva.
2. Tolerância sem a Verdade de Deus
Hoje em dia, muito se fala sobre tolerância e intolerância, especialmente em relação à igreja moderna. Muitos dizem que a igreja deve ser mais tolerante, enquanto outros acusam a intolerância de ser pecado. No entanto, estamos debatendo palavras e nos dividindo, quando o foco deveria ser buscar a Verdade de Deus e viver conforme ela.
De fato, a tolerância pode ser uma virtude quando abraçamos o próximo com amor, graça e perdão, buscando entender seus pontos de vista. Porém, se não nos apoiarmos na Verdade da Palavra de Deus, podemos facilmente ser influenciados pelos caminhos do mundo.
Em vez de nos rotularmos como tolerantes ou intolerantes, devemos amar o que Deus ama e odiar o que Ele odeia.
Deus é amor e o define (1 João 4:8). Ele nos ensina que o amor é paciente, bondoso, não inveja nem guarda rancor (1 Coríntios 13:4-8). O amor verdadeiro, segundo Deus, acontece entre homem e mulher, e o casamento deve ser mantido puro (1 Coríntios 7:1-40).
Além disso, Deus é justo, santo e reto (Salmo 89:14). Ele detesta seis coisas, conforme Provérbios 6:16-19: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que trama más intenções, pés apressados para o mal e testemunha falsa. Devemos tolerar as pessoas por amor, mas jamais tolerar o pecado.
3. Aceitação: entendendo o verdadeiro significado
A palavra “aceitação” tem gerado muita confusão e ideias equivocadas na sociedade atual. Todos desejam ser plenamente conhecidos, amados e aceitos por todos, mas Deus quase nunca é incluído nessa equação.
Hoje, a aceitação virou algo relativo, como um acordo de “você me aceita e eu te aceito”. Mas essa não é a forma como Deus trabalha, nem como devemos entender a aceitação. O mundo aceita muitas coisas que não vêm de Deus e que são, na verdade, malignas.
Aqui está a armadilha para o pecado: enquanto o mundo busca aceitação e tolerância para comportamentos pecaminosos, precisamos compreender o que realmente significa ser aceito. Ser aceito significa ser altamente favorecido, aprovado e reconhecido como correto.
Seguir a visão do mundo sobre aceitação é ignorar a aceitação que recebemos em Cristo. Quando colocamos nossa fé em Jesus, nosso coração se transforma e passa a desejar o que agrada a Deus. Embora ainda lutemos contra a carne (Ezequiel 36:26), temos a escolha de defender o que é verdadeiro, aprovado e correto diante de Deus (Romanos 14:17-18).
4. Defender a verdade com amor
É fácil ficar na defensiva ou até mesmo desafiador quando nos sentimos feridos ou traídos por outras pessoas, ou até mesmo por Deus. Contudo, é possível defender o que é certo sem se tornar defensivo. Como cristãos, nossa missão é ganhar pessoas para Cristo, e não construir barreiras, mas pontes.
Reconheço que isso não é simples. Vivemos em um mundo hostil e dividido, onde muitas vozes clamam por atenção, muitas vezes falando mentiras ou blasfemando contra Deus. Nunca devemos aceitar isso (Lucas 12:10). Porém, se não formos intencionais e pararmos para pensar antes de falar, podemos nos envolver em conflitos que não terminam bem.
Como agir então para revelar a verdade, sem cair em pensamentos ou atitudes pecaminosas? Devemos ser ousados, mas falar com amor. Convidar Deus para a conversa com uma oração rápida e silenciosa, ouvir com paciência e falar a verdade com amor e graça.
5. O perigo das pequenas concessões
Voltando à minha história, quando quase caí na TV para impedir minha filha de oito anos de ver uma cena imprópria, ela me olhou com uma expressão séria e perguntou: “O que tinha de tão ruim nisso?”
Confesso que já tive esse mesmo pensamento e ainda tenho às vezes. É o lado humano vindo à tona. Mas o perigo dessa linha de raciocínio é que, nessas pequenas concessões, nossa força de caráter se enfraquece mentalmente. É uma linha tênue que pode facilmente nos levar a justificar o pecado.
A verdade é que Deus nunca desculpa o pecado! Por meio de Sua graça abundante, Ele está disposto a perdoar, mas jamais desculpa o pecado. Quando começamos a fazer concessões, a linha do pecado fica borrada, e acabamos não nos arrependendo verdadeiramente, nem sentindo remorso genuíno. Com o tempo, nem reconhecemos mais o pecado, caindo repetidamente na mesma armadilha e seguindo um caminho destrutivo.
Quando nos tornamos cristãos, somos uma nova criação. O velho homem morreu e não deve mais nos atrair (Filipenses 3:7-9). Por isso, devemos nos esforçar para não comprometer nossa fé por nós mesmos, mas viver de forma altruísta para Cristo.
Peçamos a Deus que nos conceda Sua graça, nos perdoe quando falharmos e cederemos à pressão do pecado. Que Ele nos santifique e redima, transformando nossos corações e vidas para refletir a imagem do Seu amor. Queremos honrá-Lo com nossas escolhas, porque o amamos! (Com informações de Redação – Crosswalk)
Comunhão
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