Senado aprova Refis do Agro com impacto bilionário

Top News

Senado aprova Refis do Agro com impacto bilionário

 Proposta que utiliza recursos do Fundo Social para renegociar dívidas rurais segue para a Câmara após enfrentar resistência do governo.

                                                                  © Lula Marques/Agência Brasil.


O Senado Federal aprovou, na noite desta quarta-feira (10), o projeto de lei que cria o chamado “Refis do Agro”. A matéria permite a renegociação de dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos adversos e impactos econômicos decorrentes de conflitos geopolíticos internacionais. Com parecer do senador Renan Calheiros (MDB-AL), o texto prevê o alongamento de débitos originários de crédito rural, utilizando como fonte de recursos parte do Fundo Social (FS) do Pré-Sal e de outros fundos públicos.

Divergência fiscal

A proposta avançou mesmo diante da oposição do governo federal. O Ministério da Fazenda manifestou preocupação com o impacto nas contas públicas, que pode chegar a 140 bilhões de reais. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reconheceu a posição governista sobre a necessidade de cautela fiscal, mas manteve a deliberação atendendo a acordos firmados com parlamentares. Como houve alterações no texto, a proposta retornará para votação na Câmara dos Deputados antes de seguir para sanção presidencial.

Detalhes do financiamento

O projeto beneficia produtores e cooperativas que comprovem perdas em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025. As condições de pagamento estabelecidas pelo Senado incluem prazos de até 13 anos, com carência de dois anos. As taxas de juros são escalonadas: 3,5% ao ano para beneficiários do Pronaf e pequenos produtores; 5,5% para o Pronamp e médios produtores; e 7,5% para os demais produtores. Os limites de crédito foram fixados em 10 milhões de reais por beneficiário individual e 50 milhões de reais para cooperativas ou associações.

Origem dos recursos

Para viabilizar a linha especial, o projeto autoriza a utilização de receitas e superávits do Fundo Social do Pré-Sal, além de recursos de fundos regionais como o FNE, FNO, FCO e o Funcafé. A medida, que abrange dívidas contraídas até o final de 2025, inclui operações de custeio, investimento, comercialização e industrialização, além de débitos com fornecedores de insumos e cerealistas. O uso desses recursos, historicamente destinados à educação e saúde, torna o projeto um dos mais controversos da atual pauta legislativa.

Por Luciano Nascimento - Repórter da Agência Brasil - 20

da redação FM

Post a Comment

Postagem Anterior Próxima Postagem