Malva ganha projeto de inovação com investimento de R$ 25,7 milhões

Malva ganha projeto de inovação com investimento de R$ 25,7 milhões

 Iniciativa busca tecnificar a produção da fibra amazônica, melhorar condições de trabalho de ribeirinhos e elevar o valor agregado do produto.

                                                  © CNI/José Paulo Lacerda


A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), anunciou o financiamento de um projeto voltado à estruturação da cadeia produtiva da malva. A planta, nativa da Amazônia, tem sua fibra extraída por famílias ribeirinhas para a indústria têxtil, processo que atualmente carece de tecnificação desde o plantio até o beneficiamento. A proposta é liderada pela Companhia Têxtil de Castanhal (CTC), empresa paraense com quatro décadas de atuação no setor de fibras naturais.

Desafios e potencial produtivo

O cultivo da malva ocorre em áreas de várzea, seguindo o ciclo das cheias dos rios, um processo que envolve etapas artesanais de corte, maceração e secagem. A ausência de infraestrutura adequada para transporte, armazenamento e colheita gera riscos e prejuízos aos produtores.

Apesar do uso tradicional em sacarias, cordas e estofados, a fibra ganhou projeção internacional recentemente ao ser utilizada em um vestido de gala exibido na cerimônia do Oscar pela atriz brasileira Alice Carvalho. O novo projeto visa ampliar esse mercado consumidor e tornar a fibra mais nobre.

Estrutura do projeto

Com um investimento total de R$ 25,7 milhões, sendo R$ 15,2 milhões provenientes da Finep via edital de Bioeconomia e Desenvolvimento Regional, o projeto abrange várias frentes de aprimoramento:

Estudos para o melhoramento genético das espécies.

Desenvolvimento de maquinário específico para colheita e separação de sementes.

Criação de infraestrutura digital para gestão do cultivo.

Avaliação de mecanismos financeiros e consolidação de negócios comunitários piloto.

O diretor de Inovação da Finep, Elias Ramos, reforçou que o aporte federal é fundamental para compartilhar os riscos da inovação, viabilizando soluções para iniciativas tipicamente brasileiras. A execução contará com uma rede colaborativa formada pela CTC, quatro empresas de tecnologia (Bioverse, Supernova, MGK Equipamentos e LABB41) e três instituições científicas (UFRA, Embrapa e CBA).

Por Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil - 20

da redação FM

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