Em abaixo-assinado, servidores do IBGE alertam para risco de dados sigilosos virarem ‘ativo econômico’

Em abaixo-assinado, servidores do IBGE alertam para risco de dados sigilosos virarem ‘ativo econômico’

 


Um abaixo-assinado atribuído a servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) circula desde 28 de maio de 2026 com críticas a mudanças na estrutura de governança e processamento de dados do instituto. O documento alerta para riscos relacionados à integração de bases de dados, uso de nuvem, inteligência artificial e a participação de grandes empresas de tecnologia na hospedagem dos microdados agregados pelo IBGE.

O texto, assinado apenas por “servidoras e servidores”, foi noticiado pelo Blog da Míriam Leitão, no jornal O Globo. Procurado pelo Poder360, o ASSIBGE (Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) afirmou que ainda não tomou conhecimento dos autores do abaixo-assinado.

As preocupações dos servidores

O documento afirma que o IBGE está diante de uma mudança que “não pode acontecer em silêncio”. Os autores citam riscos relacionados a:

  • Transferência, replicação e cruzamento de microdados fora do controle das áreas técnicas do IBGE.

  • Uso de infraestrutura de grandes empresas de tecnologia, como Amazon Web Services, Microsoft Azure, Google Cloud, Oracle Cloud e Huawei Cloud.

  • Possibilidade de identificação indireta de cidadãos ou empresas, mesmo sem nome ou CPF, a partir do cruzamento de grandes bases de dados.

“Dados coletados com dinheiro público, trabalho público, presença nacional do IBGE e promessa legal de sigilo não podem virar ativo econômico, moeda de troca institucional ou matéria-prima de negócios tecnológicos” , afirma o texto.


O que o abaixo-assinado exige

O documento faz quatro pedidos principais:

  1. Que projetos envolvendo Serpro, integração de bases, nuvem, inteligência artificial e Big Techs sejam explicados com transparência ao corpo técnico e à sociedade.

  2. Que seja informado quais dados estarão envolvidos, onde ficarão armazenados, quem poderá acessá-los e quais contratos existem.

  3. Que atividades permanentes e sensíveis do IBGE não sejam deslocadas para pessoas não concursadas, fundações ou consultorias.

  4. Que o Congresso, órgãos de controle, autoridades de proteção de dados e a sociedade civil acompanhem o processo.

O texto também cobra a aprovação da PEC 27/2021, que busca assegurar autonomia técnica, administrativa e financeira ao IBGE.

Histórico de cobranças semelhantes

O ASSIBGE já havia feito cobranças parecidas em outubro de 2025, em um ofício à Presidência do IBGE, questionando a contratação do Serpro por dispensa de licitação para a migração de dados para a chamada “nuvem soberana”. O sindicato alertou que os microdados poderiam ser transferidos para soluções de armazenamento de empresas estrangeiras.

Contexto mais amplo

O debate ocorre em meio a uma discussão maior sobre soberania de dados no governo federal. Na última quarta-feira (10), o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que o Serpro revise o contrato com a Amazon Web Services por risco de acesso estrangeiro a dados públicos. A Corte também apontou riscos semelhantes em contratos da Dataprev.


Gazeta Brasil   com  F/M

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