Chuvas e secas extremas: saiba como o El Niño pode afetar o clima da sua região

Chuvas e secas extremas: saiba como o El Niño pode afetar o clima da sua região

 

Fenômeno natural é causado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial

No Brasil, El Niño aumenta risco de chuvas e períodos de seca acima da médiaReuters/Vincent West

Nos próximos meses, diversos países devem começar a perceber mudanças climáticas drásticas, causadas, principalmente, pelo retorno do El Niño. O fenômeno, que é natural, é causado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. No Brasil, o El Niño provoca efeitos opostos entre o sul e o norte, com riscos de chuvas e períodos de seca acima da média.

No Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a tendência é de diminuição no volume das chuvas e um aumento nas temperaturas. Na contramão, a região sul deve ter uma maior concentração de chuvas, o que aumenta os riscos de enchentes, alagamentos e enxurradas. Assim como o Centro-Oeste, o Sudeste fica mais suscetível a ondas de calor.

📝O El Niño é caracterizado por temperaturas mais quentes no Pacífico central e oriental. Já a La Niña é caracterizada por temperaturas mais frias na mesma região e por uma intensificação dos ventos superficiais predominantes de leste a oeste. Normalmente, a transição entre essas fases ocorre a cada dois a sete anos. Ambos começam a se desenvolver entre março e junho e atingem sua intensidade máxima entre novembro e fevereiro.

Efeito do El Niño na América do SulLuce Costa/Arte R7

Segundo meteorologistas, a expectativa é de que o fenômeno alcance a intensidade forte durante a primavera, que ocorre no Hemisfério Sul entre os meses de setembro e dezembro.

De acordo com o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), o impacto não é o mesmo em todas as regiões do Brasil: “No entanto, quanto maior a intensidade do El Niño, maior tende a ser sua influência sobre os padrões no sistema climático do país, ao influenciar o comportamento da temperatura e da precipitação, aumentando as probabilidades de ocorrência dos impactos climáticos associados ao fenômeno”, informa.

2024

A última vez que ocorreu o fenômeno foi em 2024, considerado um dos mais fortes da história. Neste período, a média das temperaturas ficou em 25,02°C, sendo 0,79°C acima da média histórica de 1991/2020, que é de 24,23°C. Já em 2023, a média anual foi de 24,92°C, 0,69°C acima da média histórica.

Em um ano marcado por eventos extremos, em 2024, 306 pessoas morreram vítimas de tragédias ambientais no Brasil, o equivalente a quase uma morte por dia, segundo dados da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil.

Os números foram fornecidos por um programa criado pelo Banco Mundial e pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). No caso das mortes, a estatística do último ano cresceu 58% em comparação a 2023, que teve 193 óbitos.

Com as temperaturas recordes registradas, o país sofreu entre 9 e 10 episódios de ondas de calor. Entre o final de agosto e o início de setembro, as temperaturas ficaram 7°C acima do normal em Belo Horizonte (MG) e Brasília (DF), e até 6°C acima do normal em Manaus (AM).

No dia 6 de outubro, por exemplo, as cidades de Goiás (GO) e Cuiabá (MT) registraram as maiores temperaturas máximas: 44,5°C e 44,1°C, respectivamente.

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Ondas de frio

Em contrapartida, o Brasil também registrou ondas de frio entre maio e agosto, em especial na primeira quinzena de agosto no Sul, que estabeleceu novos recordes de baixas temperaturas.

Um exemplo é a cidade de Urupema (SC), onde os moradores registraram neve com temperatura de –4,6 ºC. Na sequência, o calor retornou com intensidade. O inverno foi o segundo mais quente desde 1961, atrás apenas de 2023.


R7

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