Fontes do governo israelense relataram ao The Times of Israel e à Reuters que o premiê, Benjamin Netanyahu, exigiu de Trump que o acordo com o Irã incluísse, como parte do “pacote de segurança regional”, um comprometimento público do bloco sunita com a normalização. A condição foi repassada pelos canais diplomáticos e representa uma vitória estratégica para Israel, que busca consolidar os Acordos de Abraão, firmados em 2020, e pressionar a Arábia Saudita, a maior potência da região, a seguir o mesmo caminho.
A estratégia de Trump vai ao encontro do que ele mesmo já chamou de “o acordo do século”. Durante seu primeiro mandato, em 2020, o republicano mediou o acordo que normalizou as relações entre Israel e os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein. O próximo passo natural da política externa da Casa Branca é tentar convencer a Arábia Saudita a dar o mesmo passo, algo que o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman (MbS) já demonstrou disposição em discutir, desde que os Estados Unidos atendessem a certas exigências de segurança.
“O que está acontecendo nos bastidores é um movimento de grande tabuleiro. Trump quer sair da guerra com uma vitória estratégica dupla: um acordo que contenha o programa nuclear iraniano e a expansão do círculo de paz de Israel”, avaliou um analista de relações internacionais ouvido pela reportagem.
A consolidação dos Acordos de Abraão
Os Acordos de Abraão foram assinados em 2020 e já renderam frutos concretos, como a criação de zonas de livre comércio, voos diretos e cooperação militar entre Israel e os países do Golfo que aderiram ao pacto. A entrada da Arábia Saudita nesse grupo é considerada o “prêmio final” para a diplomacia israelense e também para Trump, que fez da política externa no Oriente Médio uma de suas principais bandeiras de campanha.
“Se a Aráquia Saudita normalizar relações, isso pode desencadear uma reação em cadeia em todo o mundo muçulmano, isolando ainda mais o Irã e seus aliados”, destaca um relatório do centro de estudos Middle East Institute.
O que está em jogo para o Golfo
Para os países do Golfo, o momento é de cautela. A guerra expôs a vulnerabilidade energética e a dependência da segurança ocidental. Ao mesmo tempo, a perspectiva de um acordo com o Irã e a normalização com Israel abre portas para investimentos, tecnologia e fortalecimento militar. A reunião de Trump foi um ultimato disfarçado de oferta: a paz com o Irã está nas mãos dos árabes, mas o preço é a oficialização de uma aliança que, até pouco tempo, era impensável.
F/M com Gazeta Brasil
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