Juiz que prendeu Beira-Mar apoia decisão dos EUA sobre PCC e CV

Juiz que prendeu Beira-Mar apoia decisão dos EUA sobre PCC e CV

 Odilon de Oliveira rebateu argumento do governo Lula de que medida afeta a soberania brasileira


Odilon de Oliveira (esq.) e Fernandinho Beira-Mar (dir.) Fotos: Reprodução/Record TV // Reprodução/SBT

Responsável por uma das mais conhecidas condenações do crime organizado no Brasil, o juiz federal aposentado Odilon de Oliveira disse apoiar a decisão do governo dos Estados Unidos de enquadrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida foi anunciada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, e passa a valer a partir de 5 de julho.

Odilon, que atuou por boa parte da sua carreira na região de fronteira entre Brasil, Paraguai e Bolívia, onde enfrentou grandes esquemas de tráfico de drogas e contrabando, ficou conhecido por condenar o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, além de determinar a prisão de centenas de integrantes de organizações criminosas.

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Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, o magistrado aposentado afirmou concordar com o entendimento adotado por Washington.

– Cada país, amparado por sua soberania, é livre para conceituar terrorismo e classificar como tal atos praticados por qualquer grupo, independentemente da base territorial onde esteja radicado – declarou.

Para Odilon, exemplos da atuação das facções ao longo das últimas décadas ajudam a sustentar essa classificação.

– Basta ver, em 2006, há 20 anos, os atos de terror do PCC em São Paulo e a atual dominação do Comando Vermelho no Rio de Janeiro. Esses grupos são donos de arsenal suficiente e de capacitação técnica. O Departamento de Estado americano define as facções como ameaças severas sob o argumento de que o tráfico de entorpecentes avança rapidamente na América – destacou.

O ex-magistrado também rejeita a ideia de que a decisão represente uma ameaça à soberania brasileira. Segundo ele, os Estados Unidos apenas exerceram uma prerrogativa própria ao enquadrar as organizações criminosas dentro de sua legislação.

– Não acho que essa classificação seja fundamental para o governo americano desrespeitar a nossa soberania. Donald Trump está apenas usando da faculdade de enquadrar o PCC e o CV como grupos terroristas, e não obrigando o Brasil a fazê-lo. São duas coisas diferentes – avaliou.

Hoje com 76 anos, Odilon de Oliveira vive em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Em razão da atuação contra o narcotráfico e o crime organizado, ele afirma acreditar que continua sendo alvo de ameaças. Segundo relatou, a rotina é marcada por fortes medidas de segurança. A residência onde mora possui sistemas de proteção reforçados, incluindo telas eletrificadas, e suas saídas são limitadas.


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