Guardiões da Mata Atlântica lançam aliança nacional

Guardiões da Mata Atlântica lançam aliança nacional

 Povos tradicionais se unem em São Paulo para defender bioma ameaçado, reivindicar direitos territoriais e promover o manejo sustentável.

                                                © Vinícius Carvalho/OTSS-Fiocruz


No Dia Nacional da Mata Atlântica, celebrado nesta quarta-feira (27), representantes de diversos povos e comunidades tradicionais lançaram a Aliança dos Povos e Comunidades Tradicionais Guardiões da Mata Atlântica. O evento, realizado na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), reuniu indígenas, quilombolas, caiçaras, pescadores artesanais, marisqueiras e povos de terreiro. A coalizão nasce como uma rede de proteção para o bioma que, embora abrigue 70% da população brasileira, teve mais da metade de sua vegetação original destruída pela colonização e pelo desenvolvimento predatório.

O manifesto da aliança destaca o papel histórico dessas populações na preservação da floresta e de sua biodiversidade. Ivanildes Kerexu, coordenadora da Comissão Guarani Yvyrupa, reforçou que a união busca fortalecer a luta por políticas públicas e garantir a continuidade dos saberes ancestrais. “O que manteve até hoje a Mata Atlântica sempre foram as comunidades tradicionais que nela vivem e que estão ali resistindo”, pontuou.

Ameaças e a necessidade de salvaguardas

A deputada federal Sonia Guajajara, presente no ato, alertou para novos riscos ao bioma, como a pressão pela exploração de minerais críticos e terras raras, além das ameaças constantes da especulação imobiliária e da construção de grandes resorts. Segundo a ex-ministra, é urgente que as estruturas legais e políticas compreendam a importância da consulta livre, prévia e informada para evitar consequências semelhantes às da exploração de combustíveis fósseis. “A gente enfrenta estruturas muito poderosas que não querem compreender nossa contribuição para a vida no planeta”, afirmou.

Dados atuais indicam que restam apenas cerca de 12,4% da vegetação original da Mata Atlântica. Apesar dessa redução drástica, o bioma ainda sustenta mais de 20 mil espécies de plantas e 2 mil de vertebrados, além de ser a fonte de água para mais de 145 milhões de brasileiros. Wellington Quilombola, coordenador do Movimento Quilombola de Sergipe e um dos coordenadores executivos da aliança, sublinhou que a destruição do habitat natural reflete diretamente no cotidiano das comunidades. “Nossa intenção é chamar atenção do governo e da sociedade para a necessidade de preservação desse bioma, que é o nosso modo de ser e de viver”, concluiu.

Por Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil - 20

da redação FM

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