Segundo o levantamento, 75% dos entrevistados afirmam que o STF tem mais poder do que deveria, enquanto outros 18% discordam dessa avaliação e 7% não souberam responder.
O estudo também aponta uma percepção generalizada de enfraquecimento da confiança na Corte. Para 75% dos participantes, as pessoas hoje confiam menos no STF do que em anos anteriores. Como essa foi a primeira vez que o Datafolha fez esse tipo de pergunta, não há série histórica para comparação.
Diferenças entre eleitorados
A pesquisa revela variações importantes quando o recorte é feito com base no voto no segundo turno das eleições de 2022, disputado entre o então presidente Jair Bolsonaro e o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Entre os eleitores de Bolsonaro, 88% afirmam que o STF tem poder excessivo. Já entre os eleitores de Lula, esse índice é menor, mas ainda expressivo, chegando a 64%. Entre os que votaram em branco, nulo ou não compareceram, o percentual é de 67%.
STF e democracia
Apesar da percepção de concentração de poder, o levantamento também mostra que parte significativa da população reconhece a importância do Supremo para o sistema democrático.
Entre os eleitores de Lula, 84% concordam que o STF é essencial para proteger a democracia no Brasil. Já entre os eleitores de Bolsonaro, esse índice é de 60%, mesmo grupo que, em maior proporção, critica o poder da Corte.
Entre os entrevistados que declararam voto branco, nulo ou ausência nas eleições, 73% afirmam que o tribunal é importante para a democracia, enquanto 67% dizem que os ministros têm poder em excesso.
Metodologia da pesquisa
O levantamento foi realizado entre os dias 7 e 9 de abril, com 2.004 entrevistados em 137 municípios de todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03770/2026.
Leitura do cenário
Os dados indicam um cenário em que há uma percepção amplamente difundida de que o STF acumula poder acima do desejado por grande parte da população, ao mesmo tempo em que o tribunal ainda é visto por muitos como uma instituição fundamental para a manutenção da democracia brasileira.
A combinação desses dois sentimentos — crítica ao poder e reconhecimento institucional — aparece de forma transversal entre diferentes grupos políticos, embora com intensidade variada conforme a preferência eleitoral.
Gazeta Brasil
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