Saúde - Risco de demência aumenta com tipo de alimento comum consumido por milhões, sugere estudo

Saúde - Risco de demência aumenta com tipo de alimento comum consumido por milhões, sugere estudo

 

Um novo estudo publicado no periódico Alzheimer’s and Dementia, da Associação de Alzheimer, mostrou que alimentos ultraprocessados (AUP) estão ligados a mais de 30 problemas de saúde, incluindo fatores de risco para demência, como doenças cardíacas, diabetes tipo 2 e obesidade.

A pesquisa foi realizada por cientistas da Monash University, na Austrália.

O que o estudo descobriu

Os pesquisadores analisaram mais de 2 mil adultos australianos, entre 40 e 70 anos, livres de demência. Eles compararam a dieta dos participantes com a função cognitiva (capacidade de atenção, memória, aprendizado).

O resultado foi:

  • Cada aumento de 10% no consumo de ultraprocessados foi associado a:

    • Piores pontuações em testes de atenção

    • Maior risco de demência

Isso acontecia independentemente de a pessoa seguir ou não uma dieta saudável, como a dieta mediterrânea.

Não foi encontrada uma ligação significativa entre o consumo de ultraprocessados e a memória.

O que diz a pesquisadora

A coautora do estudo, Barbara R. Cardoso, PhD em bioquímica nutricional pela Monash University, disse à Fox News Digital:

“Foi interessante ver isso em adultos de meia-idade. No entanto, fiquei surpresa ao ver que a adesão à dieta mediterrânea não mudou essa associação. Isso indica que o processamento dos alimentos é um fator distinto que contribui para piores resultados cognitivos.”

Ela recomendou que os ultraprocessados sejam “evitados o máximo possível”. A razão não é apenas a ligação já conhecida com doenças cardiovasculares e obesidade, mas também porque eles estão associados a uma saúde cognitiva pior – o que pode afetar a capacidade de realizar tarefas simples, como dirigir com segurança.

O que são alimentos ultraprocessados

São alimentos industrializados que passam por múltiplas etapas de processamento. Exemplos incluem:

  • Salgadinhos de pacote (chips)

  • Refrigerantes e bebidas açucaradas

  • Refeições prontas (congeladas ou enlatadas)

  • Biscoitos recheados

  • Cereais matinais açucarados

Eles costumam ser ricos em açúcar, gorduras não saudáveis, aditivos e ingredientes de baixa qualidade.

O que diz um psiquiatra

O Dr. Daniel Amen, psiquiatra da Califórnia e fundador da Amen Clinics, afirmou à Fox News:

“Seu cérebro é um órgão faminto por energia. Ele usa cerca de 20% das calorias que você consome, então a qualidade dessas calorias importa.”

Segundo ele, a comida é “remédio ou veneno”. Os ultraprocessados podem promover inflamação, resistência à insulina, má circulação sanguínea e estresse oxidativo – todos “ruins para o cérebro”.

O estudo mostrou que mesmo um aumento de 10% no consumo de ultraprocessados – o equivalente a cerca de um pacote de chips por dia – foi ligado a uma “queda mensurável na atenção, mesmo quando as pessoas tinham dietas saudáveis”.


Gazeta Brasil

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