O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, de 14,75% para 14,50% ao ano. O corte foi de 0,25 ponto percentual.
A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (29) e já era esperada pelo mercado: 87% dos agentes financeiros apostavam nesse movimento.
Esta é a segunda redução consecutiva da Selic após quase dois anos sem cortes. Na reunião anterior, em março, o BC havia cortado a taxa de 15% para 14,75%.
Inflação projetada supera teto da meta
O Banco Central atualizou sua projeção para a inflação oficial de 2026, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). A nova estimativa é de 4,6% .
O número supera o teto da meta, que é de 4,5% (o centro da meta é 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo).
Em março, essa previsão era de 3,9%. Em apenas um mês, a estimativa subiu 0,7 ponto percentual.
Para o quarto trimestre de 2027, o Copom projeta IPCA de 3,5%.
Guerra no Oriente Médio exige cautela
No comunicado, o Copom destacou os riscos provocados pela guerra no Oriente Médio:
“O ambiente externo permanece incerto, em função da indefinição a respeito da duração, extensão e desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes.”
O Brasil importa cerca de 30% do petróleo que consome. A alta do petróleo já está pressionando a inflação brasileira. O IPCA-15 (prévia da inflação oficial) teve em abril a maior variação desde 2022, puxada pelos combustíveis:
Diesel: +16%
Gasolina: +6,23%
Etanol: +2,17%
BC não sinaliza novos cortes
O Copom repetiu o tom cauteloso da reunião anterior. O comunicado afirma:
“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária.”
Os próximos passos vão depender dos impactos econômicos da guerra no Oriente Médio. O BC não sinalizou novos cortes.
Cenário dos juros
Antes deste ciclo de cortes, o Banco Central vinha elevando a Selic desde setembro de 2024, partindo de 10,50% ao ano, para conter a inflação. No pico, a taxa chegou a 15% ao ano – o maior patamar em quase 20 anos.
O movimento de alta dos juros ajudou a reduzir a inflação, que em abril de 2025 chegou a 5,53% ao ano. Em fevereiro deste ano, o índice recuou para 3,81%, mas voltou a subir em março, para 4,14%.
O que é a Selic e como ela afeta sua vida
A Selic é a principal ferramenta do Banco Central para controlar a inflação:
Juros mais altos → crédito mais caro → consumo menor → inflação cai
Juros mais altos → pode enfraquecer a economia → desemprego pode subir
Com a Selic a 14,50% ao ano:
Crédito fica caro (empréstimos, financiamentos imobiliários e de veículos)
Investimentos em renda fixa (como Tesouro Selic) oferecem bons retornos
Poupança perde competitividade
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