Empresa Sistemma encara ruas intrafegáveis e caminhão atola no primeiro dia de coleta de lixo em Porto Velho

Empresa Sistemma encara ruas intrafegáveis e caminhão atola no primeiro dia de coleta de lixo em Porto Velho

 

"Batalhão de garis" e frota reforçada foram às ruas para enfrentar passivo deixado por gestão anterior, mas desafios estruturais já aparecem

PORTO VELHO - O primeiro dia da nova fase da coleta de lixo em Porto Velho, sob responsabilidade da Sistemma Serviços Urbanos, foi marcado por força-tarefa e obstáculos. A empresa colocou nas ruas um contingente acima do previsto contratualmente — um verdadeiro "batalhão de garis" e dezenas de caminhões extras — com a missão de normalizar o serviço em toda a capital. No entanto, as dificuldades apareceram logo na largada: um caminhão chegou a atolar no bairro Escola de Polícia, vítima de ruas intrafegáveis.

A operação teve início à meia-noite de quarta-feira (22), após um período de transição conturbado marcado por acúmulo de resíduos, mais de 4 mil reclamações contra a antiga concessionária e um cenário de "sabotagem" deixado pela gestão anterior, conforme relatos de fiscalização .

"Missão dada é missão cumprida"



Apesar do cronograma apertado e das dúvidas sobre a estrutura nos dias que antecederam a estreia, a Sistemma conseguiu mobilizar um efetivo robusto para as ruas. O objetivo declarado da empresa é resolver o passivo de lixo acumulado e atender a todas as localidades, por mais difícil que seja o acesso.

“A nossa missão é atender toda a população, por mais difícil que seja a dificuldade para chegar aos locais”, resumiu um porta-voz da companhia, ecoando a estratégia de choque operacional adotada para os primeiros dias.

A mobilização incluiu caminhões adquiridos em Goiânia e a contratação de mais de 200 trabalhadores, muitos deles recém-chegados à empresa, mostrando um esforço logístico para evitar um colapso sanitário na cidade .

Desafio das ruas e problemas emergenciais

O dia, no entanto, não foi tranquilo. O caso mais emblemático das dificuldades enfrentadas ocorreu no bairro Escola de Polícia, onde um dos caminhões compactadores da frota atolou ao tentar trafegar por vias em condições precárias.


O incidente evidencia um dos maiores calcanhares de calcanhar de aquiles da logística urbana em Porto Velho: a infraestrutura viária. Ruas sem pavimentação, esburacadas ou com lama tornam o serviço dos coletores hercúleo e exigem manobras arriscadas dos motoristas, além de aumentar o risco de danos aos veículos e atrasos nas rotas.

Cenário de desconfiança e fiscalização intensa

A chegada da Sistemma ao comando da coleta ocorre sob forte escrutínio. A empresa foi contratada em caráter emergencial após a rescisão do contrato com o consórcio anterior, que acumulava 4.398 reclamações, segundo ofício enviado ao Tribunal de Contas .

Nos dias que antecederam a operação, houve relatos de falta de estrutura, ausência de licenças e dúvidas sobre a capacidade de início imediato dos trabalhos . Contudo, sob pressão da Prefeitura e dos órgãos de controle — como a Câmara Municipal e o TCE-RO — a empresa conseguiu se articular para não deixar a cidade às escuras .

O presidente da Comissão de Saneamento Básico, Thiago Tezzari, vistoriou a estrutura e prometeu vigilância constante: “Todos nós somos fiscais desse serviço” .

O futuro imediato

O primeiro dia mostrou que, embora a força-tarefa da Sistemma tenha evitado um caos total, o caminho para a normalização da coleta em Porto Velho ainda é longo e cheio de obstáculos. A empresa terá que equilibrar a pressão por resultados imediatos com a realidade das ruas intrafegáveis dos bairros periféricos e a necessidade de resolver o lixo acumulado nos distritos do Baixo Madeira .

A missão promete ser um verdadeiro teste de fogo para a nova gestão de resíduos da capital rondoniense.








FONTE: PORTAL 364

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