Economia - O que a nova pesquisa Datafolha mostra sobre o bolso do brasileiro? Confira

Economia - O que a nova pesquisa Datafolha mostra sobre o bolso do brasileiro? Confira

 

Mais da metade dos brasileiros (59%) afirma que a renda familiar não é suficiente para pagar as despesas do mês, segundo pesquisa Datafolha divulgada no domingo (26). O levantamento também revelou que 45% dos entrevistados buscaram formas de complementar a renda nos últimos meses.

A pesquisa ouviu 2.002 pessoas de 16 anos ou mais em 117 municípios de todas as regiões do Brasil nos dias 8 e 9 de abril de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

O que a pesquisa revelou

Os dados mostram um cenário de aperto financeiro para a maioria da população:
Situação
Percentual
Renda não é suficiente para viver
59%
Renda é exatamente o que precisam
36%
Renda é mais do que suficiente
6%

Quem mais sente o aperto no bolso?

A pesquisa do Datafolha também mostrou diferenças importantes entre grupos da população:

Por renda familiar

Faixa de renda
Dizem que a renda NÃO é suficiente
Até 1 salário mínimo
82%
De 1 a 2 salários mínimos
71%
De 2 a 5 salários mínimos
48%
Acima de 5 salários mínimos
23%

Por região do país

Região
Percentual com renda insuficiente
Nordeste
68%
Norte
64%
Sudeste
56%
Sul
53%
Centro-Oeste
51%

Por idade

Faixa etária
Percentual com renda insuficiente
16 a 24 anos
72%
25 a 44 anos
63%
45 a 59 anos
54%
60 anos ou mais
47%

Como os brasileiros complementam a renda?

Diante da dificuldade financeira, 45% dos entrevistados relataram buscar formas de complementar a renda. Entre as estratégias mais comuns estão:
✅ Bicos e trabalhos informais, como vendas, entregas e serviços pontuais
✅ Hora extra ou segundo emprego formal
✅ Venda de produtos pela internet ou em comunidades
✅ Prestação de serviços como manicure, costura, reparos e aulas particulares
✅ Aplicativos de transporte e entregas por plataforma digital
“A busca por renda extra virou estratégia de sobrevivência para muitas famílias. Não se trata mais de ‘ganhar um pouco a mais’, mas de garantir o básico”, afirmou a economista Maria Helena Costa, pesquisadora da Fundação Getulio Vargas (FGV), em entrevista à reportagem.

Inflação e custo de vida: o peso no orçamento

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam fatores que contribuem para o cenário de aperto financeiro:
📈 Alta nos alimentos: Nos últimos 12 meses, itens básicos como arroz, feijão, óleo e carne tiveram aumentos acima da média, pressionando o orçamento das famílias.
🏠 Contas fixas pesadas: Energia elétrica, água, gás e aluguel consomem parcela significativa da renda, especialmente para quem ganha até dois salários mínimos.
💳 Juros altos: A taxa Selic em patamar elevado encarece empréstimos e o rotativo do cartão, dificultando a saída do endividamento.
“Quando a inflação sobe e os juros permanecem altos, o poder de compra cai. Quem vive com salário mínimo ou renda informal sente primeiro e mais forte”, explicou o professor de economia João Silva, da Universidade de São Paulo (USP).

O que dizem os especialistas sobre o futuro?

Analistas consultados destacam que a melhora no poder de compra depende de uma combinação de fatores:

🔹 Controle da inflação, especialmente em alimentos e serviços essenciais
🔹 Geração de emprego formal com salários compatíveis ao custo de vida
🔹 Políticas de transferência de renda bem focalizadas para quem mais precisa
🔹 Redução gradual dos juros, para estimular crédito e consumo sem reacender a inflação

O que o governo diz?

Procurado pela reportagem, o Ministério da Economia informou que acompanha os indicadores de renda e consumo e que medidas de apoio à população de baixa renda estão em análise.
“O governo está comprometido com políticas que aumentem a renda real das famílias, como programas de qualificação profissional, incentivo ao emprego e controle da inflação”, afirmou nota oficial.
Programas como o Bolsa Família, o Auxílio Gás e a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até dois salários mínimos são citados como ações em curso para aliviar o orçamento das famílias.

Dicas para organizar as finanças em tempos de aperto

Para quem está com dificuldade para fechar o mês, especialistas recomendam:

📋 Faça um diagnóstico: Anote todas as receitas e despesas por 30 dias para entender para onde vai seu dinheiro.

✂️ Corte o supérfluo: Identifique gastos que podem ser reduzidos ou eliminados temporariamente, como assinaturas não essenciais.

💬 Negocie dívidas: Procure credores para renegociar parcelas e evitar juros maiores.

🎯 Estabeleça prioridades: Alimentação, moradia, saúde e educação devem vir antes de lazer e compras por impulso.

📱 Use ferramentas gratuitas: Apps de controle financeiro e planilhas simples podem ajudar a visualizar o orçamento.

🤝 Busque apoio: Programas sociais, cooperativas de crédito e orientações do Procon podem oferecer suporte.

Metodologia da pesquisa

  • Instituto: Datafolha
  • Amostra: 2.002 entrevistados
  • Perfil: Pessoas de 16 anos ou mais
  • Local: 117 municípios das 5 regiões do Brasil
  • Período: 8 e 9 de abril de 2026
  • Margem de erro: ±2 pontos percentuais
  • Nível de confiança: 95%

Gazeta Brasil

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