Dados obtidos pela CPI do Crime Organizado no Senado apontam que o Banco Master realizou pagamentos que totalizam R$ 80 milhões ao escritório de advocacia da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, entre 2024 e 2025. Os valores foram declarados pelo banco à Receita Federal na forma de impostos retidos na fonte, pagos após a emissão de notas de prestação de serviços.
Segundo levantamento do jornal Folha de S. Paulo, em 2024 foram realizados 11 pagamentos de R$ 3.646.529,72 cada, totalizando mais de R$ 40 milhões. A CPI suspeita que o montante esteja acima do valor de mercado para serviços jurídicos semelhantes.
O relator da comissão, senador Alessandro Vieira, afirmou que houve dificuldades para acessar esses dados, apesar de a quebra de sigilos já ter sido aprovada. “Os documentos chegam a conta-gotas e, infelizmente, quando os alvos são muito poderosos, os dados chegam muitas vezes incompletos”, disse. Segundo ele, o escritório reconheceu contrato com o Banco Master de R$ 129 milhões, dos quais aproximadamente R$ 80 milhões já teriam sido pagos.
Em nota, o escritório de Viviane Barci de Moraes afirmou que as informações são incorretas e teriam sido vazadas de forma ilícita, ressaltando que dados fiscais são sigilosos. O escritório confirmou, entretanto, que prestou consultoria jurídica ao banco, com cerca de 80 reuniões realizadas entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025.
A CPI do Crime Organizado encerra seus trabalhos na próxima semana e não será prorrogada. Nesta quarta-feira (8), o colegiado deve ouvir o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, antes da apresentação do relatório final.
Gazeta Brasil
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