O objetivo da diligência é apurar se houve prática de corrupção passiva. O foco recai sobre a venda de uma participação societária no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), que pertencia ao fundo Maridt e foi adquirida por um fundo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.
As suspeitas ganharam corpo após a perícia em celulares apreendidos com Vorcaro. As conversas encontradas deram origem a um relatório de aproximadamente 200 páginas, enviado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin.
A PF fundamentou o envio dos autos ao Supremo com base no Artigo 33 da Lei Orgânica da Magistratura (Loman), que estabelece o rito a ser seguido quando surgem indícios de crime praticado por magistrados. Segundo os agentes, o rastreamento do “caminho do dinheiro” é essencial para verificar se os pagamentos mencionados nas mensagens de fato ocorreram e qual seria a contrapartida.
O ministro Dias Toffoli, que não é alvo formal da investigação até o momento, tem negado reiteradamente qualquer ilegalidade. No entanto, após a divulgação do relatório policial, o magistrado admitiu pela primeira vez ser um dos sócios do fundo Maridt.
A cronologia dos fatos sob suspeita envolve:
Participação: O fundo Maridt (do qual Toffoli é sócio) possuía cotas no resort Tayayá.
Venda: Essa fatia foi vendida para um fundo de investimento controlado por Daniel Vorcaro.
Investigação: A PF apura se essa transação comercial serviu de camuflagem para repasses indevidos.
“Caso Arquivado”, afirma Gabinete
Em nota oficial enviada à imprensa, o gabinete de Dias Toffoli adotou uma postura defensiva incisiva. O texto afirma que o ministro “jamais integrou qualquer fundo de investimento” diretamente e assegura que todas as operações financeiras da Maridt e de seus acionistas foram regulares e devidamente declaradas.
A nota traz ainda uma informação crucial sobre o andamento jurídico:
“Todos os questionamentos formulados pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal foram integralmente respondidos no âmbito da AS 244, já tendo o Presidente do STF, Edson Fachin, determinado o arquivamento do caso”, declarou o gabinete.
Apesar da afirmação de arquivamento por parte da defesa, o movimento dos investigadores da PF indica que a corporação ainda busca frentes para reabrir ou aprofundar a coleta de provas sobre o fluxo financeiro entre o banqueiro e o fundo ligado ao magistrado.
Gazeta Brasil
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