Número de jornalistas mortos em 2025 é o maior em 30 anos

Número de jornalistas mortos em 2025 é o maior em 30 anos

 Relatório do CPJ aponta 129 assassinatos de profissionais de imprensa; maioria das mortes ocorreu em Gaza e foi atribuída às forças de defesa de Israel.

     © Hatem Khaled/Reuters/proibida reprodução


O ano de 2025 registrou o maior número de mortes de profissionais de imprensa já documentado pelo Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) em mais de três décadas. Ao todo, 129 jornalistas foram assassinados no exercício da profissão em todo o mundo. Desse total, dois terços das mortes (86 casos) são atribuídos às Forças de Defesa de Israel, concentrando a maioria das vítimas entre profissionais palestinos em áreas de conflito.

Segundo os dados divulgados pela organização nesta quarta-feira (25), cinco países concentram 84% das fatalidades. Além de Israel, figuram na lista o Sudão, com nove mortes; México, com seis; Rússia, com quatro; e Filipinas, com três. A maioria esmagadora dos assassinatos (104) ocorreu durante conflitos armados, em um momento onde a violência contra civis atingiu níveis históricos globais.

Uso de tecnologia e impunidade no campo

Um dado alarmante destacado pelo relatório é o crescimento exponencial do uso de drones em ataques direcionados. O número de mortes de jornalistas por essa tecnologia saltou de duas em 2023 para 39 em 2025. Na guerra entre Rússia e Ucrânia, por exemplo, todos os quatro jornalistas mortos em território ucraniano no ano passado foram vítimas de drones russos, evidenciando uma nova e perigosa tática de vigilância e ataque.

A impunidade é apontada pelo CPJ como o principal motor dessa violência. A presidente da organização, Jodie Ginsberg, ressalta que a ausência de investigações transparentes e a falha de líderes governamentais em proteger a imprensa alimentam um ciclo de agressões. O relatório lembra que jornalistas são considerados civis pelo direito internacional humanitário e nunca devem ser alvos deliberados em guerras.

Perseguição em regimes autoritários e crime organizado

Além das zonas de guerra, o relatório cita a fragilidade do estado de direito e a atuação de facções criminosas como causas de mortes em países como México, Colômbia e Índia. Nesses locais, o assassinato de jornalistas tornou-se comum devido à corrupção política e ao controle territorial exercido por gangues. No México e na Índia, ao menos um profissional de imprensa foi morto anualmente na última década.

Alvos específicos: Jornalistas da Al Jazeera em Gaza, como Hossam Shabat e Anas al-Sharif, foram mortos após ameaças e difamações.

Geografia da violência: Sudão e Ucrânia também registraram aumento significativo de óbitos no último ano.

Liberdade em risco: O CPJ alerta que ataques à imprensa são indicadores primários de ataques a outras liberdades democráticas.

O documento finaliza enfatizando que a morte de um jornalista silencia informações essenciais em momentos de crise. Sem a devida responsabilização dos perpetradores, inclusive em países que não estão formalmente em guerra, a base para novos assassinatos permanece estabelecida, colocando em risco a segurança global da categoria.

Por Agência Brasil - 20

da redação FM

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