Dívida Pública fica praticamente estável, mas supera R$ 8,6 trilhões

Dívida Pública fica praticamente estável, mas supera R$ 8,6 trilhões

 

          A Dívida Pública Federal segue pressionada pela apropriação de juros em cenário de Selic elevada – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil (Alô Rondônia)


Apropriação de juros compensou volume de vencimentos e manteve estoque levemente acima do registrado em dezembro

Porto Velho, Rondônia – A Dívida Pública Federal (DPF) encerrou janeiro em R$ 8,641 trilhões, praticamente estável em relação ao mês anterior. O dado, divulgado nesta quarta-feira (25) pelo Tesouro Nacional, mostra uma variação de 0,07% frente ao estoque de dezembro, quando o montante era de R$ 8,635 trilhões.

O resultado ocorreu apesar do elevado vencimento de títulos prefixados, sendo compensado pela forte apropriação de juros — reflexo do atual patamar da Taxa Selic, hoje em 15% ao ano.

DÍVIDA INTERNA CRESCE; EXTERNA TEM FORTE QUEDA

A Dívida Pública Mobiliária Interna (DPMFi) aumentou 0,26%, passando de R$ 8,309 trilhões para R$ 8,33 trilhões em janeiro.
Embora o Tesouro tenha resgatado R$ 67,02 bilhões líquidos em títulos — especialmente indexados à Selic — o montante foi mais do que compensado pela apropriação de R$ 88,53 bilhões em juros.

Já a Dívida Pública Federal externa (DPFe) caiu 4,75%, de R$ 326,07 bilhões para R$ 310,59 bilhões, influenciada principalmente pela queda de 4,95% do dólar no período.

COLCHÃO DA DÍVIDA ENCOLHE PELO SEGUNDO MÊS

O chamado “colchão da dívida” — reserva financeira utilizada em períodos de turbulência ou forte concentração de vencimentos — recuou para R$ 1,085 trilhão, ante R$ 1,187 trilhão em dezembro.

A reserva atual cobre 6,77 meses de vencimentos, o menor intervalo desde março de 2025. Nos próximos 12 meses, está previsto o vencimento de R$ 1,424 trilhão em títulos federais. A expectativa do Tesouro é de recomposição gradual do colchão, devido ao baixo volume de vencimentos nos próximos meses.

COMPOSIÇÃO MUDA APÓS VENCIMENTO DE PREFIXADOS

Com o forte volume de vencimentos em janeiro, a composição do estoque variou da seguinte forma:
  • Títulos Selic: de 48,25% para 49,42%
  • Títulos atrelados à inflação: de 25,93% para 26,35%
  • Prefixados: de 22,05% para 20,65%
  • Cambiais: de 3,76% para 3,58%
O Plano Anual de Financiamento (PAF) prevê que 2026 termine com:
  • Selic: 46% a 50%
  • Inflação: 23% a 27%
  • Prefixados: 21% a 25%
  • Cambiais: 3% a 7%
PRAZO MÉDIO SOBE E PARTICIPAÇÃO DE ESTRANGEIROS AUMENTA

O prazo médio da DPF passou de 4 para 4,03 anos, indicador associado à confiança dos investidores na capacidade do governo de se financiar no longo prazo.

A participação dos principais detentores da dívida interna ficou assim distribuída:
  • Instituições financeiras: 31,92%
  • Fundos de pensão: 22,66%
  • Fundos de investimento: 21,36%
  • Estrangeiros: 10,69%
  • Demais grupos: 13,4%
O aumento dos não residentes em janeiro reflete melhora temporária no ambiente financeiro. Em novembro de 2024, o percentual havia atingido o maior nível desde 2018.

ENTENDA A DINÂMICA DA DÍVIDA PÚBLICA

A dívida pública representa o conjunto de recursos captados pelo governo para financiar despesas e investimentos. Em troca, o Estado se compromete a devolver os valores acrescidos de juros, que podem ser:
  • Prefixados
  • Atrelados à Selic
  • Indexados à inflação
  • Corrigidos pelo câmbio
Os juros elevados aumentam o ritmo de crescimento do estoque da dívida, mesmo em meses com resgates superiores às emissões.

da redação FM

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