Casamento homoafetivo aumenta 230% no país. Pastor analisa e alerta

Casamento homoafetivo aumenta 230% no país. Pastor analisa e alerta

 


Do total de casamentos entre pessoas do mesmo sexo, 64,6 % foram de união entre mulheres. Foto: Reprodução

Já os casamentos heterossexuais tiveram uma queda de 10%. Além disso, o número de divórcios atingiu a marca de 428.301 em apenas um ano

Por Cristiano Stefenoni

As rápidas e visíveis transformações porque passa a família brasileira puderam ser mensuradas em uma pesquisa do IBGE divulgada nesta semana: o número de casamentos homoafetivos no Brasil passou de 3.700 em 2013 para 12.200 em 2024, uma alta de 230%. Desse total, 64,6 % foram de união entre mulheres. Já os casamentos heterossexuais tiveram uma queda de 10% nesse mesmo período. Além disso, o número de divórcios atingiu a marca de 428.301 apenas no ano passado. Seriam esses indícios do fim da família tradicional?

De acordo com o pastor Dinart Barradas, diretor dos cursos de paternidade bíblica da Universidade da Família (UDF), o aumento do casamento entre pessoas do mesmo sexo é uma tendência que vem ganhando força há mais de uma década. Ele lembra que a primeira união homoafetiva reconhecida no Brasil foi em 2011.

“A partir da regulamentação do CNJ em 2013, muitas pessoas do mesmo sexo, que viviam uniões estáveis, encontraram o ambiente favorável à formalização da sua relação. Uma parte dessa população fez dessa decisão um ato político de afirmação de identidade e posicionamento social”, explica Barradas.

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De acordo com o pastor Dinart Barradas, diretor dos cursos de paternidade bíblica da Universidade da Família (UDF), o aumento do casamento entre pessoas do mesmo sexo é uma tendência que vem ganhando força há mais de uma década. Foto: Reprodução

Na opinião do pastor, a alta nesse tipo de união se deve a alguns fatores. “Todas essas movimentações fazem parte de uma cultura de enfraquecimento da teologia cristã do casamento e da ampliação do conceito de família, que se inicia com o modelo bíblico de homem e mulher tornando-se um através de uma união monogâmica, estável e indissolúvel, migrando para relações pós-divórcio legalizadas pela possibilidade do novo casamento de numeração infinita, tudo a depender”, pontua.

Outro dado preocupante é o número de divórcios. Apesar de uma leve redução de 2,8 % em relação a 2023, ainda assim, a quantidade de 428 mil separações em apenas um ano é assustador.

“Seja com números crescentes ou não, o divórcio sempre trará consigo consequências sociais e espirituais. Antes de tentar dizer um porquê dessa situação alarmante, quero pontuar que não importa o que tenha acontecido ou esteja acontecendo, a pior decisão é tentar resolver sem buscar ajuda”, alerta Barradas.

Possíveis causas para todo esse caos

Segundo o pastor, a turbulência por que passa a família tem origem no pecado. Ele cita, por exemplo, Mateus 24:12 onde, ao falar um pouco sobre o futuro, Jesus previu a multiplicação da iniquidade. “Quando a iniquidade – que é a transgressão da Lei – cresce, no sentido inverso não há ambiente para a crescimento ou mesmo manutenção dos compromissos mais solenes, seja nos negócios, na relação com Deus, na aliança conjugal”, ressalta.

Ele também cita o egocentrismo e/ou narcisismo, ou seja, ser amante de si mesmo (Filipenses 2:4). “Se a minha felicidade, minha opinião, meu bem-estar, minha realização consome mais energia do que buscar o bem do outro, há um cenário onde qualquer contrariedade trinca, não somente o relacionamento conjugal, mas principalmente ele”, afirma.

Barradas alerta ainda para a relativização da Palavra de Deus. “A nossa teologia tende a uma leitura mais customizada às demandas sociais e eclesiológicas. Com o decorrer dos anos aceitamos o divórcio de forma menos traumática e, consequentemente, as novas uniões. Hoje, do estacionamento ao púlpito das igrejas, não é raro encontrar irmãos e irmãs em algum estágio de um novo relacionamento”, ressalta.

Igreja deve se posicionar e líderes serem exemplos

Pastor Barradas também se mostrou preocupado sobre a forma como a igreja tem tratado desses assuntos atualmente. Ele aponta a gravidade da situação em três percepções: A primeira delas é a dificuldade que as igrejas encontram para realizar atividades com os casais.

“Eventos e movimentos fortes que temos hoje no meio cristão são voltados para o indivíduo, não para o casal. Isso precisaria de aprofundamento, mas o espaço não permite”, acredita. Outro ponto apontado por ele é a redução de tratar desse tema com os membros, seja nos cultos por meio de mensagens ou estudos bíblicos. “O que sai do púlpito torna-se em cultura na congregação”, diz.

O terceiro ponto é o fato dos líderes da igreja darem o testemunho quando o assunto é família. “A expressão ‘marido de uma só mulher’ (I Tm 3 e Tito 1) é a qualificação para postulantes à liderança cristã. Além da compreensão monogâmica dos textos, enxergo a não transitoriedade da relação conjugal. Enxergar o casamento do líder como sólida referência é fator de saúde espiritual para a congregação e para as novas gerações de líderes”, enfatiza.

Santidade do casamento nunca deve ser esquecida

O pastor finaliza lembrando que o cristão nunca deve esquecer o quão solene e importante é a instituição do casamento. “Quando o autor aos Hebreus diz que o casamento deve ser ‘digno de honra entre todos’ (Hb 13:4), entendo que devemos reverência à única relação humana que é usada para reafirmar a inteira consagração de Jesus à sua amada Igreja, que a si mesma impõe um estilo de vida que dignifique o seu amado”, afirma Barradas, que conclui:

“Honrar é atribuir valor, dar peso a alguma coisa. Se queremos restaurar a cultura e a santidade do casamento, devemos por esse assunto na agenda permanente da igreja, não apenas em ocasiões especiais. Devemos adotar critérios mais consistentes ao impormos as mãos sobre alguém para o diaconato ou episcopado”.

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