Padre de SC expulso pelo Papa vai ao STF para reaver cargo

Padre de SC expulso pelo Papa vai ao STF para reaver cargo

 


Expulso da Igreja Católica pelo Papa Francisco, o ex-padre de Blumenau (SC) Alcimir Pillotto, de 71 anos, foi à Justiça para tentar reverter a decisão do pontífice. O caso chegará nos próximos dias ao Supremo Tribunal Federal, após os advogados de Pillotto decidirem recorrer de uma decisão do TJ-SC, que entendeu que a Justiça comum não pode julgar o caso. O recurso extraordinário tem até o dia 13 de fevereiro para ser feito.

O padre perdeu a batina devido a acusações de ter violado o segredo de confissão de fiéis e de ter mantido um relacionamento amoroso com uma mulher, sua secretária da Diocese de Blumenau. Segundo seus próprios advogados, os dois dividiam a mesma casa, mas tinham uma relação profissional. 

“Muitos padres tem esses secretários, na maioria HOMENS, mas com o Padre Pillotto surgiu esse entrevero e desconfiança, por ela ser mulher, o que é um preconceito absurdo, sendo que nunca foi advertido e aceitavam que morassem na mesma residência”, diz a petição apresentada pelos representantes legais de Pillotto. 

Telêmaco Marrace, advogado de Pillotto, argumenta que o Tribunal Eclesiástico, instância interna da Igreja Católica que julga casos como esse, falhou em prover a ampla defesa ao padre de Blumenau. 

Enquanto o clérigo que o defendeu estava montando o processo, saiu a decisão monocrática do Papa. Não deu tempo dele se defender — explica o advogado. 

No entendimento do TJ-SC, que julgou o caso no final do ano passado, a decisão é de competência da Igreja e não cabe à Justiça brasileira envolver-se. Para Marrace, a Santa Sé deve se submeter à Constituição brasileira devido a um tratado assinado com o Brasil em 2008:

— A Igreja é submetida à Constituição, tanto que ela usufrui da isenção de impostos, definida na CF — aponta o advogado, que compara com o que ocorre em outras instituições, como clubes e associações. — Não tem como recorrer mais na Igreja porque a última instância é o Papa. Contra ele, só se eu recorrer com Deus. 

A situação do ex-padre é agravada por ele sofrer de câncer e ter de se submeter à quimioterapia e radioterapia. Sem o cargo, Pillotto ficou sem a Côngruas (o salário eclesiástico), o plano de saúde e a casa em que morava em Blumenau. Desde então, ele se mudou para Guaratuba (PR), onde reside com a ex-secretária da Diocese. 

— Na minha opinião, a competência vai então para a Justiça Comum, pois envolve um idoso, com câncer, que dedicou sua vida toda à religião e que está abandonado a mercê da sorte, vivendo com um salário mínimo da aposentadoria — disse o advogado.

TB.

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