O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou a entrada temporária do senador Flávio Bolsonaro (PL) no país. Um integrante da Casa Branca também teria providenciado o jato particular utilizado na viagem, segundo reportagem do jornal norte-americano The New York Times, baseada em relatos de autoridades dos EUA ouvidas sob condição de anonimato.
De acordo com a publicação, Flávio e familiares entraram nos Estados Unidos por meio do chamado parole, mecanismo que permite a permanência temporária de estrangeiros no país por razões humanitárias urgentes ou por benefício público significativo.
O jornal informou que Trump autorizou a entrada temporária do senador e que ele poderá solicitar residência permanente posteriormente.
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos confirmou ao veículo que Flávio e os familiares que o acompanhavam passaram por inspeção do Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras e foram liberados após o procedimento.
Possível pedido de green card
Uma autoridade norte-americana ouvida pelo The New York Times afirmou que Flávio Bolsonaro deverá solicitar futuramente o green card, documento que concede residência permanente nos Estados Unidos. Segundo a fonte, o pedido poderá ser processado de forma acelerada, como ocorreu com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão do senador, que obteve residência permanente em julho deste ano.
O jornal também informou ter identificado, por meio da análise de registros públicos do governo norte-americano, indícios de que Flávio apresentou um passaporte diplomático brasileiro já cancelado ao chegar aos Estados Unidos.
Passaportes e investigações no Brasil
Na segunda-feira (26), a Polícia Federal (PF) solicitou que o senador entregasse seus passaportes em até 24 horas. A medida ocorreu em meio a investigações sobre os vínculos de Flávio com o advogado brasileiro Willer Tomaz, acusado de lavagem de dinheiro em um esquema envolvendo jogos de azar on-line.
O senador também é investigado por suspeitas relacionadas à arrecadação de recursos para financiar o filme Dark Horse, produção sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Parte dos recursos teria sido atribuída ao banqueiro Daniel Vorcaro, investigado em um caso de supostas irregularidades financeiras e corrupção.
Segundo o jornal, como Flávio não entregou os documentos até a manhã de terça-feira (27), as autoridades brasileiras os cancelaram e emitiram um alerta migratório para impedir sua saída do país.
A Polícia Federal afirmou não ter registro oficial da saída do senador do Brasil e informou que investiga as circunstâncias da viagem e um possível descumprimento de determinações judiciais. A corporação ressaltou, entretanto, que restrições de circulação e o cancelamento de documentos não tornam automaticamente uma pessoa fugitiva nem justificam, por si só, uma prisão.
Trajeto até os Estados Unidos
Segundo autoridades migratórias argentinas citadas pelo The New York Times, Flávio, sua mulher e as duas filhas entraram na Argentina às 22h50 de terça-feira, pela Ponte da Fraternidade, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú. A polícia federal argentina afirmou não ter registro da entrada da família.
O jato particular utilizado na viagem teria sido providenciado por Jason Miller, aliado da família Bolsonaro e integrante da estrutura de comunicação da Casa Branca. Uma pessoa familiarizada com a logística da viagem afirmou ao jornal que os preparativos começaram na segunda-feira, após a determinação para que Flávio entregasse os passaportes.
O presidente da Argentina, Javier Milei, não comentou o caso. Já a Casa Branca remeteu às declarações públicas de Donald Trump, que confirmou ter autorizado a entrada do senador nos Estados Unidos.
Após chegar a Miami, Flávio divulgou uma carta na qual afirmou ser alvo de perseguição política e agradeceu a Trump e a Milei. Na versão inicial, apresentou-se como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, mas posteriormente alterou o trecho para “líder do Brasil”. No final do documento, manteve a afirmação de que seria o presidente eleito e alegou fraude na eleição brasileira, sem apresentar provas para sustentar a declaração.
Gazeta Brasil

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