Medicamentos contra câncer de mama, próstata e pulmão chegam ao SUS; veja a lista

Medicamentos contra câncer de mama, próstata e pulmão chegam ao SUS; veja a lista

 



O Ministério da Saúde anunciou, nesta terça-feira (20), o início da distribuição de nove medicamentos oncológicos no Sistema Único de Saúde (SUS). As terapias contemplam 13 indicações clínicas e cobrem tumores de mama, próstata, pulmão, rim e estômago, além de leucemia e linfomas. A estimativa do governo federal é de que o lote beneficie diretamente mais de 116 mil pacientes em todo o país.


A distribuição começa de forma imediata em 20 centros especializados distribuídos por 17 estados. A meta do Ministério da Saúde é expandir a entrega para todos os serviços oncológicos da rede pública até dezembro. Parte dessas substâncias já havia sido incorporada oficialmente ao SUS há mais de dez anos, mas ainda dependia de entraves logísticos e operacionais para chegar até a ponta.

Remédio de R$ 366 mil e ampliação para novos tumores

Entre os destaques da lista está o abemaciclibe, indicado para pacientes com câncer de mama em estágio inicial (RH+/HER2- com comprometimento de linfonodos). Na rede privada, o custo do tratamento completo pode chegar a R$ 366 mil.

O pacote traz ainda a ampliação de uso de fármacos já disponíveis no SUS para novas frentes terapêuticas, como o trastuzumabe — historicamente empregado no câncer de mama —, que agora passa a atender casos de câncer de estômago e da junção esofagogástrica. O investimento anual exclusivo para a compra dos nove produtos será de R$ 155,4 milhões.

Os 9 medicamentos incorporados e suas indicações:

  • Abemaciclibe: Câncer de mama inicial (RH+, HER2- e linfonodos comprometidos).

    • Trastuzumabe: Câncer de estômago ou da junção esofagogástrica.

    • Abiraterona: Câncer de próstata metastático ou resistente a hormônio.

    • Gefitinibe: Tratamento inicial de câncer de pulmão de não pequenas células.

    • Rituximabe: Leucemia linfocítica crônica, linfoma folicular e linfoma difuso.

    • Pazopanibe: Câncer de rim de células claras em estágio metastático.

    • Sunitinibe: Câncer de rim metastático e tumor gastrointestinal (GIST) avançado.

      • Acetato de lanreotida: Tumores neuroendócrinos (produtores de hormônios).

      • TSH recombinante (alfatirotropina): Câncer de tireoide com indicação de iodo radioativo.

      Nota técnica: A indicação de cada medicação exige critérios clínicos específicos, avaliação médica individualizada e confirmação de elegibilidade do paciente.

      Cobertura regional e ampliação até o fim do ano

      A distribuição inicial abrange serviços de saúde nas cinco regiões do país:

      • Norte: Amazonas, Pará, Rondônia e Tocantins;

      • Nordeste: Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Sergipe;

      • Centro-Oeste: Distrito Federal e Goiás;

      • Sudeste: Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo;

      • Sul: Paraná e Rio Grande do Sul.

      A iniciativa faz parte de um plano de reestruturação da assistência farmacêutica em oncologia que projeta disponibilizar 23 novos tratamentos até dezembro — o que representará uma expansão de 35% nas opções terapêuticas da rede pública. Para bancar o modelo, o governo assumiu a compra direta de dez medicamentos, estabeleceu negociações centralizadas de preços e reforçou repasses de custeio, totalizando um investimento anual estimado em R$ 4 bilhões.

      Diagnóstico precoce: rastreamento de câncer de intestino e cirurgia por vídeo

      Paralelamente aos remédios, o Ministério da Saúde anunciou o envio de 400 mil testes imunoquímicos fecais (FIT) para rastreamento do câncer colorretal. O exame detecta sangue oculto nas fezes em homens e mulheres de 50 a 75 anos sem sintomas. A aplicação começará em novembro em capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes, servindo como triagem para a realização de colonoscopias.

      O governo também liberou R$ 46 milhões por ano para financiar cirurgias videotorácicas (focadas em câncer de pulmão) e reajustou a tabela do SUS para procedimentos complexos: o aporte para iodoterapia subiu de R$ 5,2 milhões para R$ 18 milhões (alta de 246%), enquanto os valores repassados para procedimentos com quimioterápicos intravenosos foram quadruplicados.

  • Gazeta Brasil

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