“Todo o Brasil decente está envergonhado”: editorial do Estadão detona sessão do STF

“Todo o Brasil decente está envergonhado”: editorial do Estadão detona sessão do STF


Editorial do jornal afirma que ministros aliados a Moraes usaram “chicanas” para adiar decisão sobre investigação; Cármen Lúcia foi a única a pedir desculpas ao país, segundo o texto

O jornal Estadão publicou nesta terça-feira (15) um editorial intitulado “Espetáculo degradante no Supremo”, no qual afirma que o Supremo Tribunal Federal (STF) se desmoralizou perante a nação durante a sessão que analisava a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. Segundo o texto, a Corte encerrou o dia “no ponto exato em que começou”, sem decidir sobre a investigação.

O editorial atribui o resultado a uma “vitória muito bem arquitetada” do que chama de “turma chicaneira pró-Moraes”, personificada pelos ministros Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Flávio Dino, além do próprio Moraes. O jornal afirma que o grupo se lançou em “enfadonhas perorações, de claro vezo procrastinatório, sobre questões preliminares minúsculas à luz da gravidade das suspeitas” que pesam sobre o ministro.

Pedido de vista e críticas a Fachin

O texto critica especificamente o pedido de vista feito por Flávio Dino, que interrompeu o julgamento. Segundo o Estadão, Dino pediu vista “a pretexto de serenar ânimos após um chilique teatral de Mendes” e, assim, adiou a decisão por “semanas ou meses”. O editorial também afirma que Gilmar Mendes e Flávio Dino “atacaram a autoridade do presidente do STF, o ministro Edson Fachin”, ao dizer que ele teria se valido de um “expediente da ditadura militar” para avocar a relatoria da petição.

Cármen Lúcia e o “mal-estar cívico”

O único momento de dignidade da sessão, segundo o jornal, foi a manifestação da ministra Cármen Lúcia, que se disse “envergonhada” e pediu desculpas ao país pelo “mal-estar cívico” provocado pelo STF. “Como ela, todo o Brasil decente está envergonhado”, escreve o Estadão.

O que não foi discutido

O editorial destaca que nenhum ministro discutiu o conteúdo das mensagens atribuídas a Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. “Discutiram relatorias, ritos, objeto e outras filigranas. Sobre a gravidade do que lhes apresenta o caso concreto, nem uma palavra de horror ou de vergonha, à exceção de Cármen Lúcia”, afirma o texto.

O jornal menciona ainda a discussão entre Moraes e André Mendonça sobre qual deles teria “mais medo” da Polícia Federal e a insinuação da existência de uma “PF paralela” monitorando ministros. O texto também cita o ministro Kassio Nunes Marques, que se declarou impedido por presidir o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), medida que o editorial classifica como “barbaridade”.

Consequências

O Estadão conclui que a sessão foi marcada por “pura chicana” e que a mais alta instância judicial do país está “à beira do irrecuperável”. Segundo o editorial, a decisão sobre a investigação de Moraes ficou suspensa com o pedido de vista de Dino, sem previsão de retomada.


Gazeta Brasil

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