Lobista sócia de Lulinha deu relógio de R$66 mil a Berge, atual assessor de Lula

Lobista sócia de Lulinha deu relógio de R$66 mil a Berge, atual assessor de Lula

 caso lulinha

Roberta também pagou festa de aniversário de Swedenberger, o Berge


Lobista Roberta Luchsinger (E), amiga intima de Lulinha (D), filho mais velho do presidente Lula

A lobista Roberta Luchsinger, sócia do filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, presenteou o assessor direto de Lula, Swedenberger Barbosa, com um relógio Cartier avaliado em R$ 66 mil, um quadro de R$ 82,9 mil e ingressos para shows. Ela também pagou a festa de aniversário do assessor. As informações foram obtidas por uma colunista do Metrópoles.

Os presentes

Segundo as mensagens, o relógio — um modelo Cartier Tank de ouro — foi comprado por Luchsinger em 29 de abril de 2024. No dia seguinte, ela avisou Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete de Lula, que levaria “um mimo” a Barbosa.

Em dezembro daquele ano, a lobista deu ao assessor um quadro do pintor Antonio Veronese, comprado por treze mil euros — R$ 82,9 mil na cotação da época. As mensagens também citam ingressos para um show de Paul McCartney em Brasília, em novembro de 2023.

A festa

Luchsinger organizou e pagou a festa de aniversário de 67 anos de Barbosa, realizada em 9 de novembro de 2024 no camarote 331 do Estádio Mané Garrincha, espaço da empresa 3Structure, de Cleber Ribas — para quem a lobista prestava serviços de lobby em Brasília. A comemoração teve tema do Flamengo e ocorreu durante show de Caetano Veloso e Maria Bethânia.

Em uma das mensagens sobre a festa, Luchsinger escreveu: “Estamos colocando tudo que tem de bebida”, citando whisky, vinho, gin e champanhe. Barbosa, por sua vez, agradeceu classificando a comemoração como “linda” e “impecável”.

Atuação conjunta na Saúde

Segundo apuração, Luchsinger e Barbosa atuavam juntos na liberação de verbas do Ministério da Saúde destinadas a estados e municípios — período em que o assessor ocupava o cargo de número dois da pasta.

Lula nega conhecer a lobista

Em sabatina à TV Globo, em 27 de agosto, Lula afirmou não conhecer Roberta Luchsinger. “Eu não conheço essa moça. Nunca vi essa moça na minha vida. Nunca conversei com essa moça. Ela nunca esteve próxima de mim”, disse o presidente, que chamou a lobista de “pilantra” durante a entrevista.

Luchsinger é investigada pela Polícia Federal no âmbito do inquérito Sem Desconto, que apura fraudes em descontos previdenciários do INSS.


Mensagens mostram lobista mandando fazer pagamentos para filho de Lula

Celular de lobista revela ordens de repasses ao filho mais velho do presidente Lula, incluindo depósito de R$ 26.809 a agência de viagens e cobrança de R$ 100 mil a ex-secretário de Saúde de Goiânia


Mensagens recuperadas no celular da lobista Roberta Luchsinger mostram ordens de pagamento para Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula (PT). As conversas, reveladas nesta quinta-feira (24), são as primeiras a documentar repasses da lobista ao filho do presidente, tratado por ela como “sócio” em diálogos com terceiros.

Repasse para agência de viagens

Em mensagem enviada a seu motorista, Ulisses Barbosa Viana Junior, em 25 de julho de 2024, Luchsinger encaminhou o valor “26.809” e afirmou que era preciso “pagar mais isso para Fábio na TTW”. Viana Junior confirmou a tarefa e, na sequência, enviou um comprovante de depósito de R$ 26.809 para a agência de viagens TTW Group — empresa onde trabalha Marina Mantega, filha do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e amiga de Luchsinger, segundo o site Metrópoles, .

A TTW é apontada pela coluna como a agência usada pela lobista para organizar viagens internacionais suas e de Lulinha, incluindo uma ida à Finlândia para observar o fenômeno da aurora boreal.

Em outra troca de mensagens, no dia 29 de novembro de 2024, Luchsinger perguntou ao motorista: “Cadê o dinheiro?”. Em seguida, orientou: “Tem que levar lá no Fábio”. Ao saber que o valor estava no porta-malas de um veículo, respondeu que ele deveria, após um compromisso próprio, pegar um Uber, “deixará grana no Fábio” e seguir viagem em outro carro.

Cobrança de R$ 100 mil a ex-secretário

Segundo o Metrópoles, Luchsinger também cobrou, em tom agressivo, um pagamento de R$ 100 mil ao ex-secretário de Saúde da Prefeitura de Goiânia, Quesede Ayres Henrique. A mensagem — “Ô Quesede, tu dá um jeito de fazer esse pix, porra, que o homem tá me cobrando” — foi enviada no dia 8 de novembro de 2024, data em que Lulinha embarcou para Lisboa em voo da Latam que partiu de Guarulhos às 22h40.

De acordo com a reportagem, Henrique depositou o valor na mesma noite na conta da empresa RL Consultoria, de propriedade de Luchsinger, por meio de uma empresa comercial de Goiânia. Henrique se entregou à polícia em dezembro de 2024: ele era investigado por suspeita de desvio de R$ 10 milhões na pasta da Saúde do município.

Investigações no STF

Fatos relacionados a Lulinha e a Luchsinger são apurados em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a reportagem. O principal deles — com as investigações mais avançadas — trata de suspeita de tráfico de influência no Ministério da Saúde para a venda de fármacos derivados de maconha, como o CBD, tendo como investigados Lulinha, Luchsinger e o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

Um segundo inquérito apura possíveis pagamentos de Luchsinger a pessoas do entorno do presidente Lula, entre elas o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Uma terceira apuração investiga suspeita de tráfico de influência na Dataprev, estatal de processamento de dados.



DP




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