Medicamento é capaz de dobrar a sobrevida do paciente em comparação com a quimioterapia
A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, aprovou nesta quarta-feira (26) o uso da pílula desenvolvida contra o câncer de pâncreas que fez médicos chorarem e aplaudirem de pé no maior congresso de oncologia do mundo, em Chicago.
O remédio chamado daraxonrasib e cujo nome comercial é Rasonque é capaz de dobrar a sobrevida do paciente com a doença, em comparação com a quimioterapia. O medicamento foi apresentado na sessão plenária da American Society of Clinical Oncology (ASCO), realizada entre maio e junho deste ano.
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Com a autorização da FDA, o Rasonque deixa de ser experimental e poderá ser usado por pacientes adultos com câncer de pâncreas metastático. A liberação da FDA aconteceu seis meses e meio antes do previsto pela própria agência.
O comissário interino da entidade, Kyle Diamantes, afirma que trata-se de uma “nova opção fundamental para pacientes diante de um câncer extraordinariamente difícil e historicamente complicado de tratar”.
Agora, o medicamento poderá ser usado em pacientes com a doença, desde que eles já tenham recebido ao menos um tratamento sistêmico anterior, ou que eles não possam receber diferentes medicamentos sistêmicos combinados.
COMO A PÍLULA FUNCIONA?
O remédio em questão atua para bloquear a proteína RAS, que está ligada ao crescimento de tumores, em especial na adenocarcinoma, tipo de tumor maligno que surge no pâncreas. Essa proteína age como um tipo de interruptor, que alterna entre ligado e desligado.
Em corpos saudáveis, esse interruptor liga quando a célula precisa crescer e se multiplicar, e desliga quando o sistema volta ao repouso. No câncer de pâncreas, contudo, há uma mutação nessa proteína, fazendo com que ela fique permanentemente “ligada”, levando ao caos na multiplicação das células.
Basicamente, a pílula aprovada pela FDA funciona como um tipo de trava de segurança que se encaixa na proteína e a força a “desligar”, evitando que ela continue dando comandos de crescimento celular.
https://youtu.be/JPJY-PdYwBE?si=k9a6JTfJOOFHvYc5
ESTUDO
Denominado RASolute 302, o estudo do remédio seguiu o padrão mais rigoroso da Medicina, tendo feito um ensaio clínico randomizado de fase 3 com 500 pacientes. Os voluntários foram divididos, por meio de sorteio, em dois grupos: um que receberia a pílula, e outro que passaria pela quimioterapia.
Os resultados foram conclusivos e mostraram que a sobrevida média dos pacientes que tomaram o medicamento foi de 13,2 meses contra 6,6 meses dos que fizeram quimioterapia.
O risco de morte caiu 60%, e mais de 31% dos pacientes tiveram redução do tumor contra 11,2% do grupo da quimioterapia. Os dados também apontam que apenas 1,2% precisou interromper o tratamento devido a efeitos colaterais, enquanto na quimio, esse índice foi de 11,2%.
POR QUE O CÂNCER DE PÂNCREAS É TÃO LETAL?
O câncer de pâncreas é considerado um dos mais agressivos, letais e difíceis de tratar na oncologia. O Brasil atualmente apresenta uma média de 13 mil diagnósticos anuais, dos quais 12 mil pacientes morrem.
A letalidade se deve a alguns fatores, entre eles a demora para que o corpo apresente os primeiros sintomas. Como o pâncreas está localizado profundamente no abdômen, logo atrás do estômago, dificilmente o tumor causa dor ou sintomas em seus estágios iniciais. Normalmente, o paciente começa a apresentar amarelamento na pele, perda de peso e dor abdominal quando a doença já se espalhou para outros órgãos ou para vasos sanguíneos.
Além disso, o pâncreas fica próximo a estruturas vitais, como a veia porta e a artéria aorta, o que faz com que intervenções cirúrgicas sejam de grande risco.
Deve-se levar em conta também que a maioria dos tumores de pâncreas é resistente a medicamentos quimioterápicos devido às mutações do gene RAS e também porque eles criam ao redor de si uma camada densa de tecido cicatricial (um tipo de escudo chamado estroma), que dificulta a ação de tratamentos convencionais.
Pleno News
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