DISTRITO DE UNIÃO BANDEIRANTES: CRATERAS, PROMESSAS E O POVO NO LIMITE

DISTRITO DE UNIÃO BANDEIRANTES: CRATERAS, PROMESSAS E O POVO NO LIMITE

 União Bandeirantes cansou de esperar: um distrito rico, entre promessas, crateras e abandono



Com quase 28 mil habitantes, forte produção agropecuária e comércio em expansão, o maior distrito de Porto Velho convive há décadas com problemas de infraestrutura e agora aguarda a retomada de obras de pavimentação anunciadas há cerca de dois anos e meio.


União Bandeirantes, distrito de Porto Velho localizado a aproximadamente 160 quilômetros da capital, chegou a quase três décadas de história sustentado pelo trabalho de seus moradores e por uma economia que ganhou força ao longo dos anos. Com população estimada em quase 28 mil habitantes, a comunidade se consolidou como uma das principais áreas produtivas do município, com destaque para a pecuária de corte, produção de leite, banana e, mais recentemente, para o crescimento de lavouras de café, cacau e pitaia. O comércio local também acompanha esse movimento e mantém uma atividade considerada importante para a economia da região.


Apesar dessa força econômica, a infraestrutura continua sendo um dos principais problemas enfrentados pela população. O acesso pela Linha 101, as estradas rurais, pontes e as vias da área urbana apresentam dificuldades que se repetem há anos. Durante o período de estiagem, a poeira toma conta das estradas e ruas sem pavimentação. Na época das chuvas, a realidade muda para lama, erosões, atoleiros e buracos que, em alguns pontos, tornam a circulação de veículos bastante complicada.


Para quem vive no distrito, não se trata de uma situação nova. O que existe é um sentimento crescente de que as soluções apresentadas ao longo dos anos não conseguem acompanhar as necessidades de uma comunidade que cresceu e passou a movimentar uma parcela significativa da economia de Porto Velho. Os moradores reconhecem as intervenções realizadas pelo poder público em diferentes períodos, mas cobram obras que tenham continuidade e tragam resultados permanentes, principalmente nas áreas de infraestrutura viária.


Um dos episódios mais recentes envolve um pacote de pavimentação anunciado há aproximadamente dois anos e meio. Na ocasião, representantes do poder público, parlamentares e lideranças políticas estiveram no distrito para apresentar as obras, que incluiriam a pavimentação de diversas ruas. A presença de autoridades alimentou a expectativa dos moradores de que, finalmente, parte dos antigos problemas de infraestrutura começaria a ser resolvida.


A empresa responsável pelos serviços chegou a se instalar no distrito e iniciou os trabalhos preparatórios para a pavimentação. Foram realizadas escavações e intervenções conhecidas tecnicamente como obras de arte, etapas necessárias para a execução da infraestrutura das futuras vias pavimentadas. O início dos serviços foi recebido pela população como um sinal concreto de que o projeto sairia do papel.



Com a chegada do período chuvoso, entretanto, os trabalhos foram interrompidos. A justificativa apresentada foi a necessidade de aguardar condições mais adequadas para a continuidade da obra, com previsão de retorno durante o período de estiagem. O problema é que o verão avançou e, até o momento, os moradores aguardam a retomada dos serviços.

Nesse intervalo, algumas áreas que já haviam sido abertas para a execução da obra acabaram sendo prejudicadas pelas chuvas e enxurradas. O que eram escavações destinadas à preparação das vias acabou evoluindo para buracos maiores e pontos de difícil passagem. A situação preocupa principalmente os moradores que utilizam diariamente essas ruas para trabalhar, estudar, buscar atendimento e realizar atividades comerciais.

A cobrança, portanto, não se limita à retomada da pavimentação. A comunidade também quer informações mais claras sobre o cronograma, os prazos e as etapas que ainda precisam ser executadas. Para os moradores, saber quando os serviços serão retomados é tão importante quanto acompanhar a conclusão da obra.

Nesse cenário, o vereador eleito pelo distrito também passou a ser cobrado pela comunidade. Alguns moradores afirmam que esperam uma atuação mais próxima do representante na Câmara Municipal, especialmente na fiscalização e na cobrança junto ao Executivo para que as demandas locais avancem.

Um morador que preferiu não ser identificado afirmou que a comunidade espera uma presença mais efetiva do representante. “Nós elegemos um vereador para representar o distrito e levar nossas reivindicações para a Câmara. O que queremos é que ele acompanhe de perto essas questões e ajude a buscar uma solução”, relatou.


A crítica, segundo os moradores, não significa negar a importância da representação política, mas reforçar a expectativa criada pelo voto. Para quem vive em União Bandeirantes, o vereador é uma das principais pontes entre a comunidade e o poder público municipal e, por isso, deveria ter participação ativa na cobrança por melhorias, especialmente em uma questão que interfere diretamente na rotina da população.


A moradora Maria Elizabete também manifestou sua insatisfação, mas ressaltou que a comunidade espera principalmente resultados. “A gente sabe que existem reuniões e que o vereador busca conversar sobre os problemas, mas precisamos ver essas cobranças avançarem. O distrito precisa de obras e de acompanhamento”, afirmou.

A manifestação resume uma preocupação que vai além da atuação individual de um vereador. A população quer saber quem efetivamente está acompanhando a execução das obras, quais são os prazos estabelecidos e quais medidas estão sendo adotadas para evitar que as intervenções permaneçam inacabadas.


O problema da infraestrutura também ganha uma dimensão maior quando se considera o tamanho da atividade econômica de União Bandeirantes. O distrito possui produtores rurais, comerciantes, trabalhadores e famílias que dependem diretamente das condições das estradas e das ruas para manter suas atividades. Uma estrada em más condições aumenta o custo do transporte, dificulta o escoamento da produção e pode comprometer até mesmo serviços básicos.


Na zona rural, produtores precisam enfrentar estradas que sofrem com as mudanças climáticas. No período seco, a poeira aumenta. Durante as chuvas, pontos críticos podem ficar praticamente intransitáveis. As pontes também estão entre as principais preocupações da comunidade, especialmente aquelas utilizadas para o transporte da produção e para o deslocamento diário dos moradores.


Na área urbana, a situação não é diferente. Ruas sem pavimentação e trechos danificados dificultam o trânsito de carros, motocicletas e caminhões. Em determinados pontos, os moradores precisam reduzir a velocidade de forma significativa para conseguir passar pelas crateras e erosões formadas após as chuvas.


O cenário também coloca em discussão a necessidade de planejamento permanente para o distrito. União Bandeirantes cresceu, a produção aumentou e o comércio se fortaleceu, mas parte da infraestrutura permanece com características de uma comunidade que ainda está esperando por sua estrutura básica.


E há outro aspecto que os moradores fazem questão de lembrar: a relação entre política e comunidade costuma se intensificar durante os períodos eleitorais. É nesse momento que o distrito volta a receber maior atenção de candidatos e lideranças. As promessas aparecem, as reuniões são realizadas e os compromissos são assumidos diante da população.

O desafio, segundo os próprios moradores, é fazer com que essa atenção não desapareça depois das eleições. A comunidade quer acompanhar os políticos durante todo o mandato, independentemente de partido ou projeto eleitoral.

O histórico de promessas não cumpridas alimenta essa desconfiança. Moradores lembram, por exemplo, de candidatos que assumiram compromissos de presença frequente no distrito durante campanhas anteriores e que, depois de eleitos, não mantiveram a mesma proximidade anunciada.

Agora, com um novo ciclo eleitoral se aproximando e nomes já se movimentando em busca de candidaturas para outros cargos, a população demonstra preocupação de que o distrito volte a ser palco de promessas sem que as antigas demandas tenham sido resolvidas.


A cobrança, desta vez, é para que União Bandeirantes não seja tratada apenas como um importante reduto eleitoral ou uma região produtiva que aparece nos discursos. A comunidade quer resultados concretos, planejamento e acompanhamento das obras.


Também é importante destacar que os moradores não estão cobrando obras de luxo. A reivindicação é por condições básicas de mobilidade e infraestrutura. Estradas em boas condições, pontes seguras, ruas transitáveis, drenagem adequada e pavimentação onde houver planejamento e recursos são necessidades que interferem diretamente na qualidade de vida.


A questão do direito de ir e vir também está no centro das reclamações. Quando uma rua fica tomada por crateras ou uma ponte apresenta condições precárias, não é apenas o trânsito que é afetado. O problema pode atingir o transporte escolar, o atendimento de saúde, o deslocamento de trabalhadores e o escoamento da produção.


Por isso, a situação de União Bandeirantes exige uma resposta objetiva do poder público. A população precisa saber se as obras anunciadas serão retomadas, qual é o novo cronograma, quais ruas serão contempladas e qual o prazo previsto para conclusão.


Mais do que discursos, os moradores querem transparência sobre o que aconteceu com a obra, por que os serviços foram interrompidos e quais providências estão sendo tomadas para que as intervenções não permaneçam abertas e causando novos transtornos.


União Bandeirantes já demonstrou que tem força para produzir, crescer e movimentar a economia. O que falta, segundo a comunidade, é que essa mesma importância seja reconhecida na hora de planejar e executar investimentos públicos.


A população não quer transformar a cobrança em disputa partidária. Quer que prefeitura, vereadores, deputados e demais representantes políticos assumam suas responsabilidades e trabalhem conjuntamente para encontrar soluções.


Afinal, o distrito não pode continuar crescendo economicamente enquanto sua infraestrutura permanece décadas atrás.


União Bandeirantes já fez a sua parte: cresceu, produziu e ajudou a movimentar a economia de Porto Velho. Agora, a cobrança dos moradores é para que o poder público faça a sua — com planejamento, fiscalização, transparência e, principalmente, obras que saiam do discurso e cheguem de fato às ruas.


A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra) para obter esclarecimentos sobre a situação da obra e saber quais são as providências previstas para a retomada dos serviços. No momento da visita, o secretário não estava presente. Conforme informado pela chefia de gabinete, a equipe de reportagem receberia um retorno posteriormente. Até o fechamento desta matéria, porém, não houve manifestação.

O espaço está aberto para a Secretaria, a empresa responsável pela execução da obra, o vereador representante do distrito e demais envolvidos que desejarem prestar esclarecimentos, apresentar informações ou se manifestar sobre os fatos relatados.


da redação F/M

Colaboração : Jornal o Bandeirantes News

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