Mendonça abriu inquérito para investigar vazamentos de dados no caso INSS

Mendonça abriu inquérito para investigar vazamentos de dados no caso INSS

 Inquérito sigiloso foi aberto em janeiro e mira a divulgação de informações obtidas pela PF; material provocou embate de meses entre o ministro e a corporação


Por Cleber Lourenço

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu em 8 de janeiro de 2026 um inquérito sigiloso para investigar vazamentos de informações obtidas a partir das quebras de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o filho de Lula, e da empresária Roberta Luchsinger nas investigações sobre fraudes no INSS. A existência do procedimento, apurada pelo ICL Notícias, ganha relevância diante de uma nova sequência de mensagens protegidas por sigilo publicadas pela imprensa.

A investigação busca identificar quem teve acesso aos dados e como informações produzidas pela Polícia Federal deixaram os autos. Os vazamentos, porém, começaram o fim de 2025, reportagens já reproduziam informações da investigação envolvendo Roberta. Em dezembro, a defesa da empresária procurou a própria PF para denunciar o que classificou como “vazamentos seletivos”.

É justamente esse material que posteriormente se tornou um dos principais pontos de atrito entre Mendonça e a Polícia Federal no caso do INSS. O ministro passou a cobrar da corporação uma cópia de segurança dos dados obtidos nas quebras de sigilo autorizadas judicialmente, para que o conteúdo permanecesse preservado e disponível ao STF.

A cobrança ganhou força depois de mudanças na equipe da PF responsável pela investigação. Mendonça queria evitar que alterações internas comprometessem o acesso ao acervo produzido pelas diligências que ele próprio havia autorizado.

A Polícia Federal resistiu por cerca de oito meses a entregar o material nos moldes solicitados pelo ministro. A corporação encaminhou recentemente as informações ao gabinete, após meses de impasse. Esse, inclusive, foi um dos motivos dos atritos entre Mendonça e a PF.

O cenário cria uma situação particularmente sensível: enquanto novas mensagens atribuídas ao material sigiloso continuam sendo divulgadas, há mais de sete meses um inquérito no STF aberto especificamente para descobrir a origem desses vazamentos.

A apuração corre sob sigilo e, até o momento, não há informação pública sobre eventual identificação dos responsáveis pela divulgação dos dados.


da redação FM

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