O ex-atacante João Alves de Assis Silva, conhecido como Jô, concedeu uma entrevista franca ao programa “Abre Aspas”, do Ge.com / SporTV. O ex-jogador, com passagens marcantes por clubes como Corinthians, Manchester City e Atlético Mineiro, além da Seleção Brasileira, abordou temas sensíveis como a queda brusca de renda após a aposentadoria, as prisões por falta de pagamento de pensão alimentícia, os problemas com o álcool e o trauma do 7 a 1 para a Alemanha na Copa do Mundo de 2014.
Queda de renda e prisões por pensão
Jô revelou que, no auge da carreira, chegou a receber R$ 300 mil mensais. Com o fim dos gramados, a realidade financeira mudou drasticamente. Ele associou os problemas com a Justiça por falta de pagamento de pensão alimentícia — o último episódio ocorreu em meados deste ano — à dificuldade de adaptar seus custos à nova realidade econômica.
“Não se trata de estar falido, mas de aceitar uma redução no seu nível de vida”, explicou. O ex-jogador destacou que ainda preserva bens e investimentos, mas precisa reorganizar as finanças. Jô é pai de oito filhos, frutos de cinco relacionamentos diferentes.
Problemas com o álcool
O ex-atleta admitiu que a bebida atrapalhou sua trajetória profissional, principalmente por conta da falta de limites nos momentos inoportunos. “Não é que eu bebia todos os dias. O problema era que eu fazia isso, por exemplo, no dia anterior a uma viagem”, contou, relembrando uma ocasião na qual passou a madrugada bebendo antes de embarcar para um jogo da Libertadores pela Inter de Porto Alegre — período que definiu como o mais delicado de sua vida, entre 2011 e 2012.
“Se você ganha um jogo, está em casa com amigos e no dia seguinte tem folga, não há problema. Mas nós, atletas, às vezes não entendemos que trabalhamos com o corpo e precisamos cuidar dele”, refletiu.
O trauma do 7 a 1
Convocado por Felipão para a Copa de 2014, Jô viveu do banco de reservas o pesadelo da goleada sofrida para a Alemanha na semifinal. “Queria ir a uma Copa, sempre foi meu sonho. Mas ser marcado por um 7 a 1 dói. Ainda dói”, desabafou.
Ele descreveu a sensação de impotência no banco ao lado de companheiros como Daniel Alves, Hernanes e Paulinho: “Chegava um gol, outro, e a gente continuava tentando entender… Felipão não sabia o que dizer, no campo não conseguiam reagir e nós no banco não tínhamos como ajudar. Foi um pesadelo”.
Jô relembrou ainda o silêncio constrangedor no retorno da delegação ao Brasil: “O barulho mais alto no ônibus era o do motor, porque ninguém dizia mais nada. Um silêncio absoluto, e alguns até com lágrimas nos olhos”. Para ele, a soberba após o título da Copa das Confederações em 2013 contribuiu para a queda na Copa.
As festas de Ronaldinho Gaúcho
Companheiro de Ronaldinho no Atlético Mineiro na conquista da Libertadores de 2013, Jô desmistificou o tom “caótico” dos eventos organizados pelo astro. “Ronaldinho é um cara muito tranquilo. A dele é sentar, colocar um pagode, fazer a festa dele e estar com os amigos. Às vezes ficávamos dois ou três dias na casa dele, mas ele nunca obrigou ninguém a nada”, contou.
Banho de realidade pós-carreira
Sobre a transição para a vida pós-futebol, Jô reconhece que o choque é grande. “Quando você se aposenta do futebol, toma um banho de realidade. Se antes no restaurante pedia três refrigerantes, agora peço um. Muita gente entra em depressão nessa fase”, afirmou.
Hoje, diz ter superado os temores de sua família de que seguisse caminhos autodestrutivos: “Jô, o jogador, é coisa do passado. Agora é o João Alves, que preserva o Jô para poder seguir em frente”.
Gazeta Brasil
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