Famílias denunciam refeições repetitivas e falta de papel higiênico em escola, mesmo após fiscalização realizada pela Seduc no mês de junho.
Pais e integrantes da comunidade escolar da Escola Estadual Hélio Neves Botelho, localizada na zona sul de Porto Velho, procuraram o News Rondônia para denunciar possíveis problemas relacionados à alimentação e às condições de higiene da unidade. Segundo os relatos, estudantes teriam recebido refeições repetitivas durante o mês de julho e enfrentado, em diferentes momentos, falta de papel higiênico nos banheiros.
A escola atende pouco mais de 700 estudantes. De acordo com os pais, a nova reclamação não estaria relacionada à falta de alimentos enviados pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc), mas ao preparo e à forma como as refeições estariam sendo oferecidas aos alunos.
Entre os relatos está o de uma mãe que afirma que o filho teria chegado em casa dizendo que havia recebido mingau de forma repetitiva na escola. “Meu filho chegava em casa dizendo que havia recebido apenas mingau e que essa vinha sendo a refeição. Ele também relata que os alunos já nem comem mais, por ser um alimento servido repetidamente. É triste demais saber que, dentro de uma escola, o básico não venha sendo feito porque alguns servidores resolvem fazer o que bem entendem. Não é a primeira vez que isso acontece dentro dessa escola e, desta vez, esperamos que a Seduc endureça a cobrança. Afinal, nossa paciência chegou ao limite”, relatou.
Segundo os pais, a preocupação aumenta porque a alimentação escolar representa uma importante fonte nutricional para muitos estudantes. Eles cobram que o cardápio elaborado pela rede estadual seja cumprido regularmente e que eventuais substituições sejam realizadas conforme as orientações técnicas da equipe responsável pela alimentação escolar.
Falta de papel higiênico também é denunciada
Além dos relatos sobre a merenda, pais e integrantes da comunidade escolar denunciaram a falta de papel higiênico nos banheiros da unidade. Segundo os relatos, a ausência do material estaria ocorrendo de forma recorrente e causando maior preocupação entre as adolescentes, que precisam utilizar os sanitários durante o período de aulas.
Os pais afirmam que o problema já ocorreria há algum tempo e que a escola teria conhecimento da situação, mas, segundo eles, não estaria adotando medidas suficientes para solucioná-la de maneira definitiva.

A comunidade cobra esclarecimentos sobre a frequência da falta do material, a responsabilidade pelo abastecimento dos banheiros e as providências que estariam sendo adotadas para garantir condições adequadas de higiene aos estudantes. A reportagem ressalta que as denúncias relacionadas aos banheiros, assim como os relatos sobre a alimentação escolar, ainda precisam ser confrontados com as informações oficiais da direção da unidade e da Secretaria de Estado da Educação (Seduc). Denúncias surgem após fiscalização realizada em junho.
A nova reclamação ocorre após uma fiscalização realizada pela Seduc na escola em 25 de junho. A inspeção foi motivada por uma denúncia anterior relacionada ao preparo e ao cumprimento do cardápio da alimentação escolar.
Segundo as informações recebidas pela reportagem, durante a fiscalização não teria sido constatada falta de alimentos na unidade. A questão estaria relacionada principalmente ao preparo e à utilização dos produtos destinados à alimentação dos estudantes.
Em uma denúncia anterior, pais haviam relatado que alunos teriam recebido apenas suco acompanhado de bolacha, enquanto outros alimentos previstos no cardápio não estariam sendo preparados e oferecidos regularmente.
O ponto central da apuração, portanto, não seria apenas a existência de alimentos na escola, mas se os produtos disponibilizados pela rede estadual estariam sendo efetivamente utilizados no preparo das refeições previstas no cardápio.
Nova denúncia é posterior à fiscalização
Segundo os pais, os novos episódios teriam ocorrido principalmente durante o mês de julho, portanto, após a fiscalização realizada pela Seduc em junho.
A comunidade escolar afirma que, mesmo depois da inspeção, teriam ocorrido situações em que os estudantes receberam refeições consideradas repetitivas ou diferentes das previstas no cardápio.
Seduc afirma que escola segue cardápio oficial
O News Rondônia procurou a Seduc e a direção da Escola Estadual Hélio das Neves Botelho para que apresentassem suas versões sobre as denúncias, a fiscalização realizada em 25 de junho, as medidas adotadas posteriormente e a atual situação da alimentação escolar.
Em resposta encaminhada no dia 26 de junho, após ser questionada sobre a situação que motivou a primeira denúncia, a Secretaria de Estado da Educação (Seduc), por meio da Superintendência Regional de Educação (Super), informou que a escola seguia o cardápio oficial da alimentação escolar elaborado para o ano letivo de 2026.
Segundo a secretaria, o cardápio é composto por refeições planejadas por nutricionistas e conta com preparações variadas destinadas aos estudantes.
A Seduc também informou que os gêneros alimentícios destinados à unidade escolar estavam sendo entregues regularmente. Em situações pontuais, alguns itens poderiam apresentar atraso em razão da logística dos fornecedores, que solicitam que os pedidos sejam realizados com antecedência mínima de 15 dias.
Ainda segundo a secretaria, a escola realiza as adequações necessárias para manter o atendimento do cardápio previsto quando ocorrem situações relacionadas à disponibilidade de determinados produtos.
A Seduc explica que acompanha permanentemente a execução do Programa de Alimentação Escolar e que, naquele momento, não havia registro de desabastecimento que tivesse comprometido a oferta de alimentação na unidade.
Segundo a secretaria, quando há necessidade de ajustes decorrentes da disponibilidade de determinados itens, as substituições são realizadas conforme orientação técnica da equipe de nutrição, garantindo a continuidade do atendimento aos estudantes.
Comunidade cobra providências
Apesar da manifestação da Seduc, os novos relatos apresentados pelos pais dizem respeito a um período posterior à resposta da secretaria, especialmente ao mês de julho.
Por isso, permanece como ponto central da apuração esclarecer se, após a fiscalização de junho, houve alguma alteração na execução do cardápio ou no preparo das refeições.
Também precisa ser esclarecida a denúncia relacionada aos banheiros, principalmente quanto à eventual falta recorrente de papel higiênico e às medidas adotadas para garantir o abastecimento dos sanitários.
Pais e integrantes da comunidade escolar defendem que, caso sejam identificados indícios de irregularidades, o caso seja acompanhado pelos órgãos de controle competentes, entre eles o Ministério Público do Estado de Rondônia (MPRO) e o Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO).
Uma eventual apuração poderá esclarecer se houve descumprimento das normas relativas à alimentação escolar, se o cardápio foi efetivamente cumprido e se as condições básicas de higiene da unidade estão adequadas.
O News Rondônia permanece acompanhando o caso e aguarda eventual manifestação da direção da Escola Estadual Hélio das Neves Botelho sobre os relatos apresentados pela comunidade escolar. O F/M, vai está no aguardo.
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