Racismo contra seleção francesa ganha repercussão antes da semifinal da Copa do Mundo 2026

Racismo contra seleção francesa ganha repercussão antes da semifinal da Copa do Mundo 2026

 Declarações de cunho racista contra jogadores da França provocam reação de autoridades, atletas e entidades às vésperas do confronto contra a Espanha.

                                              © Reuters/James Lang/proibida reprodução


Enquanto vídeos nas redes sociais mostram a seleção francesa treinando em clima descontraído para a semifinal do Mundial, declarações discriminatórias voltadas aos jogadores ganharam repercussão internacional.

O episódio mais recente envolveu o ex-primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, que publicou um artigo afirmando que a França possui um elenco de alto nível, mas “sem franceses”, em referência à presença de atletas descendentes de imigrantes, principalmente de antigas colônias africanas.

A declaração foi amplamente criticada por autoridades e jogadores espanhóis.

Governo espanhol condena declaração

O atual primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, repudiou as declarações de Rajoy por meio das redes sociais. Segundo Sánchez, o comentário representa uma vergonha e reforçou que o esporte deve ser livre de preconceito.

“Que vença o melhor e que perca o racismo”, publicou o premiê.

Jogadores espanhóis, como Pau Cubarsí e Borja Iglesias, também manifestaram apoio à seleção francesa.

Ataques racistas aumentam durante o Mundial

De acordo com a Federação Internacional de Futebol (Fifa), a Copa do Mundo de 2026 registra um crescimento expressivo de ataques racistas nas redes sociais.

Somente durante a fase de grupos foram identificadas cerca de 89 mil publicações abusivas, número 13 vezes superior ao registrado na Copa do Mundo de 2022. Desse total, aproximadamente 11% continham conteúdo de natureza racial.

Especialista aponta influência da extrema-direita

Para Marcelo Carvalho, diretor-executivo do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, o aumento das manifestações racistas acompanha o cenário político observado em diferentes países.

Segundo ele, grupos alinhados à extrema-direita passaram a se sentir mais confortáveis para expressar discursos discriminatórios, principalmente nas redes sociais.

Carvalho também destaca que a sensação de anonimato na internet contribui para a proliferação desse tipo de comportamento.

Protocolo contra racismo já foi utilizado na competição

Durante esta edição da Copa do Mundo, a Fifa já aplicou o chamado Protocolo Vini Jr., criado para combater casos de racismo dentro de campo.

Dois jogadores, um do Paraguai e outro do Equador, foram expulsos após tentarem esconder ofensas cobrindo a boca durante discussões, prática que passou a ser considerada irregular justamente para facilitar a apuração de denúncias.

Segundo Marcelo Carvalho, a iniciativa fortalece o combate ao racismo ao reduzir situações em que apenas a palavra da vítima ficava contra a do agressor.

Mbappé também foi alvo de ataques

Antes da polêmica envolvendo Mariano Rajoy, o atacante Kylian Mbappé já havia sido alvo de comentários racistas feitos pela senadora paraguaia Celeste Amarilla, após a eliminação do Paraguai para a França.

O jogador respondeu às declarações afirmando que elas eram incompatíveis com a função de uma representante pública.

Em seguida, recebeu apoio da Federação Francesa de Futebol e das autoridades francesas.

A federação classificou as declarações como “desprezíveis e inaceitáveis” e acionou a Procuradoria da França, que abriu investigação por suspeita de injúria agravada e incitação ao ódio e à violência.

Debate ultrapassa o futebol

Para especialistas, os episódios demonstram que o combate ao racismo deixou de ser uma pauta restrita ao esporte.

A mobilização de jogadores, federações, governos e entidades internacionais reforça a importância de enfrentar manifestações discriminatórias dentro e fora dos estádios.

Segundo o Observatório da Discriminação Racial no Futebol, o posicionamento público de atletas como Vinícius Júnior e Kylian Mbappé contribuiu para incentivar vítimas a denunciarem casos de racismo e ampliar o debate sobre o tema.

Perguntas frequentes

O que aconteceu com a seleção francesa?

A equipe foi alvo de declarações racistas e comentários discriminatórios às vésperas da semifinal da Copa do Mundo de 2026.

Quem fez as declarações?

Entre os casos de maior repercussão está um artigo publicado pelo ex-primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy.

A Fifa adotou medidas?

Sim. A entidade informou aumento dos ataques racistas e vem aplicando protocolos específicos para combater esse tipo de conduta durante a competição.

O caso de Mbappé está sendo investigado?

Sim. As declarações feitas contra o atacante levaram à abertura de uma investigação pelas autoridades francesas.

 

Com informações de Isabela Vieira – Repórter da Agência Brasil

Fonte: Francisco Rodrigo

da redação FM

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