Declarações de cunho racista contra jogadores da França provocam reação de autoridades, atletas e entidades às vésperas do confronto contra a Espanha.
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Enquanto vídeos nas redes sociais mostram a seleção francesa treinando em clima descontraído para a semifinal do Mundial, declarações discriminatórias voltadas aos jogadores ganharam repercussão internacional.
O episódio mais recente envolveu o ex-primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, que publicou um artigo afirmando que a França possui um elenco de alto nível, mas “sem franceses”, em referência à presença de atletas descendentes de imigrantes, principalmente de antigas colônias africanas.
A declaração foi amplamente criticada por autoridades e jogadores espanhóis.
Governo espanhol condena declaração
O atual primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, repudiou as declarações de Rajoy por meio das redes sociais. Segundo Sánchez, o comentário representa uma vergonha e reforçou que o esporte deve ser livre de preconceito.
“Que vença o melhor e que perca o racismo”, publicou o premiê.
Jogadores espanhóis, como Pau Cubarsí e Borja Iglesias, também manifestaram apoio à seleção francesa.
Ataques racistas aumentam durante o Mundial
De acordo com a Federação Internacional de Futebol (Fifa), a Copa do Mundo de 2026 registra um crescimento expressivo de ataques racistas nas redes sociais.
Somente durante a fase de grupos foram identificadas cerca de 89 mil publicações abusivas, número 13 vezes superior ao registrado na Copa do Mundo de 2022. Desse total, aproximadamente 11% continham conteúdo de natureza racial.
Especialista aponta influência da extrema-direita
Para Marcelo Carvalho, diretor-executivo do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, o aumento das manifestações racistas acompanha o cenário político observado em diferentes países.
Segundo ele, grupos alinhados à extrema-direita passaram a se sentir mais confortáveis para expressar discursos discriminatórios, principalmente nas redes sociais.
Carvalho também destaca que a sensação de anonimato na internet contribui para a proliferação desse tipo de comportamento.
Protocolo contra racismo já foi utilizado na competição
Durante esta edição da Copa do Mundo, a Fifa já aplicou o chamado Protocolo Vini Jr., criado para combater casos de racismo dentro de campo.
Dois jogadores, um do Paraguai e outro do Equador, foram expulsos após tentarem esconder ofensas cobrindo a boca durante discussões, prática que passou a ser considerada irregular justamente para facilitar a apuração de denúncias.
Segundo Marcelo Carvalho, a iniciativa fortalece o combate ao racismo ao reduzir situações em que apenas a palavra da vítima ficava contra a do agressor.
Mbappé também foi alvo de ataques
Antes da polêmica envolvendo Mariano Rajoy, o atacante Kylian Mbappé já havia sido alvo de comentários racistas feitos pela senadora paraguaia Celeste Amarilla, após a eliminação do Paraguai para a França.
O jogador respondeu às declarações afirmando que elas eram incompatíveis com a função de uma representante pública.
Em seguida, recebeu apoio da Federação Francesa de Futebol e das autoridades francesas.
A federação classificou as declarações como “desprezíveis e inaceitáveis” e acionou a Procuradoria da França, que abriu investigação por suspeita de injúria agravada e incitação ao ódio e à violência.
Debate ultrapassa o futebol
Para especialistas, os episódios demonstram que o combate ao racismo deixou de ser uma pauta restrita ao esporte.
A mobilização de jogadores, federações, governos e entidades internacionais reforça a importância de enfrentar manifestações discriminatórias dentro e fora dos estádios.
Segundo o Observatório da Discriminação Racial no Futebol, o posicionamento público de atletas como Vinícius Júnior e Kylian Mbappé contribuiu para incentivar vítimas a denunciarem casos de racismo e ampliar o debate sobre o tema.
Perguntas frequentes
O que aconteceu com a seleção francesa?
A equipe foi alvo de declarações racistas e comentários discriminatórios às vésperas da semifinal da Copa do Mundo de 2026.
Quem fez as declarações?
Entre os casos de maior repercussão está um artigo publicado pelo ex-primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy.
A Fifa adotou medidas?
Sim. A entidade informou aumento dos ataques racistas e vem aplicando protocolos específicos para combater esse tipo de conduta durante a competição.
O caso de Mbappé está sendo investigado?
Sim. As declarações feitas contra o atacante levaram à abertura de uma investigação pelas autoridades francesas.
Com informações de Isabela Vieira – Repórter da Agência Brasil
Fonte: Francisco Rodrigo
da redação FM
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