Protestos ocorrem em meio a uma onda de execuções por crimes relacionados a drogas e protestos contra o governo do país
Detentos da maior penitenciária do Irã estão costurando os lábios e aderindo a uma greve de fome em massa como protesto à pena de morte. A manifestação ocorre em meio a uma onda de execuções na prisão de Ghezel Hesar por crimes relacionados a drogas e acusações ligadas a protestos contra o governo, segundo o jornal The Guardian.
Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram os presos sentados em um corredor da prisão, com cartazes que pedem o fim das execuções. Em outro registro, um homem usa agulha e linha para costurar a boca de outro.
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Grupos de direitos humanos afirmam que pelo menos 1.500 presos no corredor da morte aderiram à greve de fome. Protestos contra a pena de morte não são novidades no país, mas ganharam força recentemente com o aumento dos casos.
Para especialistas, a guerra com os Estados Unidos piorou a crise nos presídios. “Sempre que a sombra da guerra sobre o regime se dissipa, mesmo que minimamente, o regime se torna mais selvagem”, disse uma fonte de Teerã, segundo o The Guardian.
Dados da IHRNGO (Iran Human Rights) mostram que pelo menos 424 execuções foram realizadas neste ano. A maioria dos casos envolve presos por relações com drogas. Esses presidiários são considerados os mais marginalizados e sem voz no corredor da morte.
“A República Islâmica não tem justificativa legítima para usar a pena de morte para crimes relacionados a drogas. Ela não é exigida pelo Islã, e as próprias autoridades reconheceram repetidamente que as execuções não conseguiram deter o tráfico ou o consumo de drogas. Pelo contrário, tanto o tráfico quanto o vício em drogas continuaram a aumentar ao longo dos anos”, comentou Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor da IHRNGO.
“Os condenados à morte raramente são grandes traficantes; geralmente são os mensageiros de menor escalão, recrutados por causa da pobreza em troca de um pequeno pagamento. Muitos são condenados unicamente com base em confissões obtidas sob tortura.”

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