Mundo - “Maior do que nunca”: Trump diz estar perto de decidir por ataque massivo contra o Irã

Mundo - “Maior do que nunca”: Trump diz estar perto de decidir por ataque massivo contra o Irã

 


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (23) que utilizará ativos iranianos sob controle americano para cobrir os danos causados a navios, cargas e outros bens no conflito com o Irã. Em publicação na rede Truth Social, ele declarou que “todos os danos ocasionados a embarcações, carga ou qualquer outro bem relacionado serão pagos com dinheiro iraniano que os EUA tenham em seu poder e controlem”. Trump classificou a medida como “justa e equitativa”, mas não detalhou quais ativos seriam usados nem o procedimento legal.


Em entrevista ao site Axios, Trump também afirmou que considera lançar uma ação militar “mais intensa do que nunca” contra o país persa.

“Estou considerando um ataque massivo. Maior do que nunca. Estou perto de tomar uma decisão. Estamos todos preparados”, declarou o republicano.

A nova ofensiva seria superior à Operação Fúria Épica, realizada em 28 de fevereiro por EUA e Israel, que marcou o início do atual conflito.


Conflito e contexto

A trégua entre as duas nações, alcançada em abril, foi rompida em 8 de julho, quando Trump anunciou o fim do cessar-fogo após novos ataques iranianos a navios mercantes no Estreito de Ormuz. Desde então, são registrados 13 dias de combates quase ininterruptos. O Pentágono já reconheceu baixas militares, e o Comando Central dos EUA (Centcom) confirmou sucessivas rodadas de bombardeios contra sistemas de defesa iranianos.

O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás, é o epicentro da disputa. O Irã bloqueou a via como forma de pressão sobre Washington, enquanto os EUA buscam reduzir a capacidade ofensiva iraniana contra a navegação comercial.

Ativos bloqueados e diplomacia travada

A ameaça de Trump sobre os recursos iranianos inverte a lógica adotada anteriormente. Semanas atrás, o presidente americano havia sinalizado que qualquer valor liberado iria para um fundo fiduciário sob controle dos EUA, destinado exclusivamente à compra de alimentos e suprimentos médicos. Agora, ele propõe usar os recursos para compensar danos de guerra, medida que carece de base legal explícita e cujos critérios de avaliação não foram detalhados.

Washington mantém fundos iranianos congelados desde a Revolução Islâmica de 1979, e as sanções subsequentes limitaram o acesso de Teerã a dezenas de bilhões de dólares em receitas no exterior. O eventual desbloqueio desses valores era um incentivo central para o Irã no memorando de entendimento entre os dois países.

Paquistão e Catar tentaram abrir canais de negociação com uma proposta de trégua de dez dias, mas foram rejeitados por ambos os lados. Com as vias diplomáticas bloqueadas e Trump avaliando uma ampliação severa da operação militar, o confronto avança para uma fase de escalada imprevisível.

Gazeta Brasil

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